Recorde de queimadas: Amazônia tem maior número de focos de calor em junho nos últimos 14 anos

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RIO — O mês de junho teve o maior número de focos de calor registrados na Amazônia desde 2007, comparado ao mesmo mês nos anos anteriores, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe), divulgados pelo Greenpeace Brasil.

Os satélites mostram que foram identificados 2.308 focos de incêndio em junho deste ano. O número representa um aumento de 2,6% em relação ao mesmo período em 2020, quando já havia sido batido o recorde histórico.

Maio deste ano também teve recorde de focos de queimadas para o mês desde 2007. De acordo com dados do Inpe, foram registrados 1.166 focos de calor, um aumento de 40,6% em relação ao mesmo período em 2020.

O Greenpeace estima que, nos próximos meses, o cenário de queimadas na região dificilmente será diferente do observado nos últimos dois anos. "Com números altos de queimadas ainda no começo do verão amazônico, meses onde há uma diminuição natural das chuvas na Amazônia, esses números tendem a subir ainda mais", informa a organização.

O GLOBO pediu um posicionamento do Ministério do Meio Ambiente, mas não teve retorno até o momento.

Quase 5 mil km para queimada

Segundo um levantamento divulgado esta semana pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o bioma conta com uma área de 5 mil quilômetros, quase quatro vezes maior do que o município de São Paulo, que tem vegetação derrubada e seca, "só esperando alguém chegar com o fogo". Mais de um terço desse território está concentrado em dez municípios no Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

A queimada é o último estágio do desmatamento, porque corresponde à forma mais barata e rápida de limpar um terreno para uso posterior em outra atividade econômica, como a formação de pastagens para a pecuária.

— Há muito material combustível no chão para queimar. Trata-se de um indicativo de que a época de incêndios, que é mais forte entre julho e outubro, será de fato muito intensa — alerta Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam. — Esperamos uma seca ainda maior este ano, principalmente no Sul da Amazônia, devido ao fenômeno La Niña (o resfriamento das águas superficiais do Pacífico), que cria condições necessárias para o fogo se espalhar.

O novo aumento nos focos de calor é registrado na mesma semana em que o governo federal determinou a suspensão de queimadas legais em todo o território nacional por 120 dias, com algumas exceções, medida semelhante às que foram tomadas nos últimos dois anos. Também autorizou, na última segunda-feira, a terceira operação das Forças Armadas na Amazônia desde a posse de Jair Bolsonaro, substituindo a Verde Brasil 2, encerrada em abril.

Outro reflexo do desmatamento e das queimadas apontado é a alteração do regime de chuvas, com consequências para os reservatórios para geração de energia e captação de água para consumo humano.

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