Recuperação judicial da Oi avança normalmente e lista de credores deve sair até abril

SÃO PAULO (Reuters) - O processo de recuperação judicial da Oi avança em ritmo normal e a lista final de credores deve ser publicada até o fim de abril, afirmou nesta quinta-feira o presidente-executivo da operadora, Marco Schroeder.

Em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados do quarto trimestre, o executivo afirmou que a nova proposta apresentada na véspera pela Oi é "equilibrada" e deve ser submetida à justiça nos próximos dias.

"A proposta aprovada no conselho foi uma flexibilização e respeita interesses de diversos tipos de credores", disse Schroeder, citando melhores condições para bancos.

Segundo ele, a assembleia de credores para votar o plano de recuperação judicial pode ocorrer entre o fim do segundo trimestre e o início do terceiro.

Questionado sobre possível intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no processo, o executivo ressaltou que não há até o momento qualquer deterioração de qualidade que justifique tal medida.

"Vejo com extrema naturalidade o governo estar preparado para fazer o seu papel de manter a continuidade do serviço, se algum conflito o colocar em risco, mas não é o que acontece no momento", disse.

Schroeder afirmou ainda que a Oi teve importante evolução em indicadores de qualidade no quarto trimestre, graças a investimentos feitos para ampliar a rede, aumentar a eficiência e melhorar a experiência do cliente.

Em 2016, a operadora desembolsou 4,76 bilhões de reais com as operações brasileiras, 17,6 por cento mais na comparação anual e o equivalente a 18,9 por cento da receita líquida total.

"Continuamos fazendo os investimentos necessários, demonstrando o compromisso da companhia em evoluir na questão operacional", disse.

Conforme material de divulgação do resultado, o tempo médio esperado para resolução de defeito no quarto trimestre caiu 31,3 por cento ante mesmo período de 2015, enquanto o prazo médio para instalação de serviço recuou 58,2 por cento na mesma base.

Como resultado, a entrada média de reclamações mensais contra a Oi junto à Anatel e ao Procon diminuiu 18 e 11 por cento, respectivamente, ano a ano. "E também tivemos redução de queixas no primeiro bimestre deste ano", acrescentou Schroeder.

Em junho passado, a Oi entrou com o maior pedido de recuperação na história do país, a fim de reestruturar dívidas de pouco mais de 65 milhões de reais.

Às 11:59, a ação ordinária da Oi subia 5,3 por cento, cotada a 4,37 reais.

(Por Gabriela Mello)