Rede 5G pode ser a alavanca da retomada da economia, diz Qualcomm

RIO - A implantação da rede 5G, que vai permitir maior velocidade de conexão à internet móvel, pode ser uma alavanca importante para a retomada do crescimento econômico do Brasil após o fim da pandemia do coronavírus. Em conferência realizada nesta quinta-feira, Francisco Giacomni Soares, vice-presidente de Regulação da Qualcomm, destacou que é a atual crise tem de servir de motivação para que o governo realize ainda neste ano a venda de frequência da Quinta Geração, cujo processo de leilão começou em março do ano passado.

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Segundo Soares, a rede 5G vai permitir o aumento da produtividade das companhias com a maior velocidade de conexão. A nova geração vai permitir desenvolvimento de novas soluções em robótica, inteligência artificial e telemedicina. Segundo a companhia, que produz processadores para dispositivos como celulares e computadores, a rede 5G conta com 95 redes comerciais no mundo. Mais de 40 operadoras já lançaram suas operações.

— O Brasil precisa manter seu calendário. Não há necessidade de postergar mais o leilão. A pandemia é uma motivação para essa nova rede. Ter o 5G na frente pode ser uma alavanca para o crescimento da economia. Se já tivéssemos o 5G , poderíamos falar de telemedicina, robótica e cidades inteligentes — afirmou Soares.

Desde que a crise provocada pela pandemia do coronavírus ganhou força, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vem defendendo nos bastidores um adiamento do leilão, que estava previsto para o fim deste ano. Mesmo posicionamento tem as teles, dizem fontes do setor. Por isso, disse o Soares, é importante falar em um leilão que não seja apenas arrecadatório.

— Estamos muito atrasados. Precisamos evoluir. Sei que os governos querem arrecadar, mas o leilão não precisa. A falta de recursos das operadoras em investir agrava ainda mais o cenário. É importante que pelo menos metade do valor do espectro seja abatido em obrigações de investimento de rede — disse Soares, que acredita que a Oi, mesmo com uma possível atuação apenas na fixa, poderá comprar algum espectro no futuro leilão.

Reduzir as barreiras de instalação de antenas, diz GSMA

Apesar da crise gerada pelo coronavírus, a companhia americana acredita que o total de conexões 5G chegará a 750 milhões até o fim de 2021. A expectativa é que esse ano o total de conexões chegue a 200 milhões. A GSMA, que reúne as operadoras móveis, afirma que a pandemia pode servir de impulso para a maior instalação de antenas no Brasil. Lucas Gallitto, diretor de Políticas Públicas da GSMA para América Latina, lembrou da iniciativa da cidade de Campinas, em São Paulo, que reduziu as exigências de instalação de equipamentos no atual momento de crise. Para ele, a nova legislação é importante para o futuro do 5G no país, que vai exigir dez vezes mais equipamentos.

— O ideal seria ter mais iniciativas nesse sentido. Temos que aproveitar esse momento e facilitar a instalação de infraestrutura, reduzindo as barreiras. O 5G está na agenda de diversos países da região como México, Colômbia e Chile. Nessa crise, o tráfego na região aumentou 30%.