Redes sociais falham em fiscalizar desinformação eleitoral no Brasil, dizem entidades

Por Steven Grattan

SÃO PAULO (Reuters) - Grupos de direitos humanos e pesquisadores levantaram preocupações no Brasil de que as plataformas de mídia social estão falhando em fiscalizar de forma eficiente a desinformação antes do segundo turno da altamente polarizada eleição presidencial no domingo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou neste mês medidas para combater a desinformação em torno da eleição, especialmente nas plataformas de compartilhamento de vídeos. O segundo turno de domingo coloca o presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Grupos que monitoram os espaços online disseram à Reuters que as empresas de tecnologia ainda têm dificuldades para cumprir os acordos que assinaram com o TSE em fevereiro, nos quais prometem combater materiais que possam prejudicar o processo democrático.

O TSE não respondeu a um pedido de comentário.

"As plataformas de mídia social estão falhando com os eleitores do Brasil", disse Deborah Brown, pesquisadora sênior de direitos digitais da Human Rights Watch, que chamou as plataformas e aplicativos de mensagens de espaços "extremamente importantes" para o debate eleitoral.

"Esse espaço está repleto de desinformação eleitoral, como alegações infundadas de fraude eleitoral", afirmou ela.

Bolsonaro, que está atrás de Lula nas pesquisas de intenção de voto, tem criticado repetidamente as urnas eletrônicas do país por supostamente serem vulneráveis ​​a fraudes, sem fornecer provas, levantando preocupações de que ele pode não admitir a derrota se perder.

Jon Lloyd, consultor sênior da Global Witness, sediada no Reino Unido, disse que as plataformas têm "muitas políticas corretas" para combater a desinformação, mas "falta realmente a aplicação".

"Elas não estão realmente seguindo o que suas políticas dizem e isso é uma grande preocupação", declarou.

A desinformação online se intensificou desde o primeiro turno em 2 de outubro, de acordo com Philip Friedrich, analista sênior de pesquisa para tecnologia e eleições na Freedom House.

"As empresas de mídia social têm alguma responsabilidade pelo país estar em suspense sobre as eleições deste ano", disse Friedrich. "Embora grandes empresas de mídia social como Twitter e Meta tenham divulgado declarações sobre seus preparativos antes do primeiro turno, vimos poucas atualizações sobre como elas estão respondendo às mudanças na desinformação."

Uma explosão de plataformas baseadas em vídeo também aumentou a dificuldade de combater a desinformação em comparação com as eleições anteriores, disse a pesquisadora brasileira Rosana Pinheiro-Machado, da University College de Dublin.

"A eleição passada foi a eleição do WhatsApp. Esta é a eleição do Tiktok e do Instagram", afirmou.

O TikTok disse em comunicado à Reuters que "assumimos nossa responsabilidade de proteger a integridade de nossa plataforma e eleições com a máxima seriedade".

Um porta-voz da Meta Platforms Inc, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou: "Nós nos preparamos extensivamente para as eleições de 2022 no Brasil", acrescentando que cerca de 30 milhões de pessoas no Brasil clicaram no rótulo eleitoral no Facebook e foram direcionadas para o site do TSE.

Twitter e YouTube, de propriedade da Alphabet, controladora do Google, não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.