Redução de fluxo de gás russo é 'decisão política', diz Alemanha

A redução de cerca de 40% do fluxo de gás russo diário até a Alemanha, anunciada na terça-feira pela gigante de energia Gazprom, que nesta quarta-feira também reduziu em 15% o fornecimento para a Itália, é uma "decisão política", denunciou o governo alemão.

— O que ocorreu ontem (terça) é uma decisão política, não pode ser justificada por motivos técnicos — disse o ministro alemão de Economia e Clima, Robert Habeck, em uma coletiva de imprensa em Berlim.

Na terça-feira, a Gazprom anunciou no Twitter que reduziria a quantidade de gás enviado à Alemanha via o gasoduto Nord Stream porque uma turbina, que havia sido enviada ao grupo alemão Siemens para reparos, não havia retornado "a tempo". A gigante energética disse que não poderia fornecer a quantidade normalmente enviada à Alemanha sem a máquina.

A Siemens Energy, fabricante da turbina e cuja base é Munique, confirmou a informação da Gazprom. Em uma declaração, afirmou que a turbina estava em uma instalação especializada em Montreal, mas que era "atualmente impossível" devolvê-la à Gazprom "por causa das sanções impostas pelo Canadá" contra Moscou em retaliação à invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

A empresa alemão disse que informou os governos alemão e canadense da situação e "trabalhava para uma solução viável".

O impasse causou um aumento de 16% nos preços futuros de gás natural na terça-feira, para cerca de 97 euros por megawatt por hora. Isso corresponde a menos da metade da alta alcançada em março, quando havia fortes temores de cortes de gás por Moscou, mas ainda assim cerca de cinco vezes o preço de há um ano.

Nesta quarta-feira, a empresa energética italiana Eni disse que o fornecimento russo caiu durante o dia.

— Eni confirma que a Gazprom a comunicou uma redução limitada do suprimento de gás durante hoje, equivalente a um corte de 15% — indicou um porta-voz à AFP, acrescentando que as "razões da redução ainda não foram especificadas".

Apesar da redução do suprimento, há baixo risco de que a Alemanha ou a Europa fiquem sem o combustível em um futuro próximo. No período de verão no Hemisfério Norte (junho-setembro), a demanda por gás é relativamente baixa, já que normalmente o produto é usado para aquecimento, e a Europa tem rapidamente aumentado os estoques em preparação para o próximo inverno.

— Não há nenhuma questão de fornecimento iminente — disse Henning Gloystein, diretor de energia, clima e recursos no Eurasia Group, uma companhia de risco político.

As instalações que estocam gás na União Europeia estão cerca de 52% cheias, um percentual 10% melhor do que há um ano. Em semanas recentes, a Europa tem importado uma quantidade maior de gás através dos dutos da Rússia e de outros lugares, além de gás natural liquefeito dos EUA e de outros fornecedores.

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