Redução de leitos de UTI disponíveis em Niterói fez restrições serem prorrogadas

Giovanni Mourão e Leonardo Sodré
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NITERÓI — As medidas restritivas de combate ao coronavírus, em vigor desde o último dia 26 — quando a cidade entrou no estágio Laranja (Atenção Máxima) — e que venceriam hoje, foram prorrogadas pela prefeitura por mais sete dias. O decreto foi publicado no Diário Oficial da última sexta-feira. A justificativa para a decisão está nos dados da planilha de controle da pandemia, divulgada pela prefeitura na última segunda-feira: ela aponta para uma alta exponencial de internações de pacientes com Covid-19 em UTIs, possivelmente causada pela variante P1, o que elevou a taxa de ocupação de leitos para 86%. O indicador síntese, que integra dados sobre transmissão, mortes, ocupação de leitos e taxa de recuperação, chegou a 10,5 pontos, o maior desde o início da pandemia.

Sendo assim, permanece proibido o funcionamento de comércio ambulante, salões de beleza, academias, barbearias, clubes e praias, assim como o atendimento presencial em bares, lanchonetes, restaurantes e quiosques. Shoppings e galerias comerciais ainda não abrem (exceto para atividades religiosas, do meio-dia às 22h, com 50% de ocupação), assim como museus, bibliotecas, cinemas, teatros, boates, salões e casas de festa. Cirurgias e procedimentos hospitalares eletivos seguem suspensos, bem como a reabertura de escolas.

Parques e praças também continuam fechados, com exceção do Campo de São Bento e dos hortos do Fonseca e do Barreto, que ficam abertos das 9h às 16h. Autoescolas, escolas de esportes, música e cultura, cursos de idioma e profissionalizantes, feiras, exposições, seminários e eventos similares também não podem funcionar. O novo decreto mantém ainda a proibição de permanência de pessoas nas ruas entre 23h e 5h.

Continua suspensa a entrada de ônibus e demais veículos de fretamento no município — exceto aqueles que prestem serviços regulares para funcionários de empresas ou para hotéis, cujos passageiros comprovem reserva de hospedagem.

No novo decreto, em que prorrogou proibições de atividades até o próximo dia 11, a prefeitura flexibilizou algumas das restrições a partir de amanhã, liberando as aulas presenciais da educação infantil. Já o retorno do ensino fundamental será permitido a partir do dia 12, e os ensinos médio e superior seguem sem previsão. Outra mudança é a permissão, a partir de quinta-feira, de funcionamento parcial de padarias e restaurantes até as 20h e 21h, respectivamente, com capacidade reduzida. O funcionamento de igrejas foi liberado apenas com 10% de público, e as bancas de jornais e lojas de materiais de construção devem permanecer fechadas.

Variante de Manaus

Nunca houve tanta gente internada por Covid-19 em Niterói como hoje. Em 15 dias, o número de internados em quartos mais que dobrou: foi de 140 para 297. Em leitos intensivos, o número de pacientes acamados subiu de 174 para 309, com a ocupação chegando a 85%. A situação da rede privada, com 92% dos leitos de UTI ocupados, é ainda pior.

Em vídeo publicado nas redes sociais da prefeitura na quarta-feira, o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira, alertou para o crescimento exponencial da taxa de ocupação de leitos e a sobrecarga dos hospitais. Isso se deve, principalmente, à circulação da variante P1 — cepa identificada inicialmente em Manaus — em pacientes de Niterói, acredita Oliveira:

— Enquanto em dezembro havia, para cada mil casos confirmados, internação de 57 pessoas, hoje, para cada mil, estamos internando 175 pessoas. Isso significa um número três vezes maior de pessoas que precisam de internação. Hoje, é fundamental conter e reduzir a circulação de pessoas para que a transmissão do vírus caia e, com isso, ganhemos tempo para a nossa rede absorver os pacientes que seguem internados.

Segundo a Fundação Municipal de Saúde (FMS), Niterói somava, até quinta, 31.274 casos de Covid, que resultaram em 946 mortes — a taxa de letalidade é de 3%. Os dados, porém, divergem dos apresentados pela Secretaria estadual de Saúde, que aponta 1.280 mortes, elevando a taxa de letalidade para 4,1% na cidade.

A FMS esclarece que a divergência de óbitos ocorre porque a pasta faz um trabalho de exclusão de nomes duplicados e contabilização apenas de pacientes que moram em Niterói. Explica ainda que o procedimento é necessário, uma vez que “Niterói tem uma rede hospitalar maior do que as cidades do entorno, o que leva pacientes de outros municípios, especialmente do Leste Fluminense, a procurarem auxílio médico aqui”.

Vacinação

A prefeitura deve formular esta semana um novo calendário de vacinação. O cronograma divulgado há uma semana, que previa a vacinação de toda a população maior de 60 anos até o fim de abril, vai ser adiantado. Niterói firmou um acordo com as prefeituras do Rio, de Maricá e de Itaguaí para seguir um calendário unificado quando se iniciar a imunização de grupos prioritários e pessoas com comorbidades com mais de 59 anos. Pelo calendário unificado, a previsão é que este grupo comece a ser vacinado a partir de 26 de abril. No novo cronograma, a prefeitura prevê vacinar toda a população com mais de 60 anos até o próximo dia 24.

Na última quarta-feira, foi confirmada a entrada de Niterói no consórcio formado por estados do Nordeste e outros municípios para a compra de 800 mil doses da vacina Sputnik V. O imunizante ainda não tem o aval da Anvisa para ser usado no Brasil, mas já é aplicado em outros 55 países. Até quinta-feira, Niterói contabilizava 77.638 pessoas vacinadas contra a Covid-19. Destas, 24.116 já tomaram a segunda dose.

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