Redução no custo dos painéis e criação de linhas de crédito tornou energia solar mais acessível

Stephanie Tondo
Painéis da Blue Sol em Jaboatão dos Guararapes (PE)

Sustentável e econômica, a energia solar tem se tornado cada vez mais acessível, com a redução nos valores dos equipamentos e a criação de linhas de crédito específicas para esse tipo de investimento. Para uma residência média brasileira, com quatro ou cinco pessoas, o custo de instalação de um sistema fotovoltaico que atenda à demanda por eletricidade fica, em média, entre R$ 15 mil a R$ 20 mil, com um retorno no período de três a sete anos, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

De janeiro a julho de 2019, houve uma redução média de 8,9% no preço final dos sistemas fotovoltaicos, de acordo com a consultoria Grenner. Um estudo estratégico divulgado pela empresa mostrou ainda que o número de instalações conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), nos três primeiros trimestres deste ano, cresceu 86% em relação a 2018. “O ganho de escala do setor tem sido fundamental para a queda de preços de sistemas de geração”, informa o relatório.

Executivo-chefe do Portal Solar, Rodolfo Meyer conta que o interesse do consumidor por esse tipo de geração de energia é crescente:

— O aumento de procura pela instalação de painéis solares é bombástico. Há meses em que chega a crescer 30%. A tecnologia começa a decolar quando tem sentido financeiro, e é isso que tem acontecido.

Com a possibilidade de financiamento, a energia elétrica oriunda de painéis solares tem chegado às classes mais populares. Segundo Meyer, a renda média mensal dos consumidores que contratam as linhas de crédito oferecidas pelo Portal Solar é abaixo de R$ 2 mil.

— A maior procura é pelo parcelamento em 60 vezes, sem entrada. Hoje, realizamos cerca de dois mil novos contratos por mês — apontou.

A energia gerada pelo sistema fotovoltaico pode ser armazenada em baterias, que ainda são caras para os brasileiros, custando a partir de R$ 30 mil. Por isso, a opção mais utilizada no país costuma ser o lançamento da energia excedente no SIN, ou seja, no sistema utilizado pelas concessionárias de energia, como Light e Enel.

Com isso, os consumidores que geram energia solar recebem um crédito das concessionárias, para ser usado em momentos em que não há incidência de luz solar, como durante a noite ou os dias nublados. Dessa forma, eles passam a pagar um valor mais baixo de conta de luz, normalmente apenas a tarifa mínima, que no Rio é de R$ 19,35 (sistema monofásico), R$ 32,25 (bifásico) e R$ 79,20 (trifásico).

Há, ainda, a cobrança de contribuição para iluminação pública. No município do Rio, por exemplo, residências com consumo de até 100kWh são isentas. Para até 140kWh, são cobrados R$ 5,51, com aumento conforme o consumo.

Coordenador do MBA de Finanças do Ibmec/RJ, Filipe Pires ressalta que a instalação de sistemas fotovoltaicos é um investimento de médio e longo prazos, ou seja, o consumidor não tem retorno financeiro no primeiro ano. Isso porque, mesmo com o financiamento, o valor das parcelas pode ficar mais alto que o valor da conta de luz.

Porém, após o período do parcelamento, que pode ser, por exemplo, de cinco anos, o consumidor passará a pagar um valor mensal significativamente mais baixo, referente apenas à tarifa mínima e à contribuição para iluminação pública. 

— Para quem opta pelo financiamento, a vantagem é que, enquanto a conta de luz sofre reajustes anuais, normalmente acima da inflação, o valor da parcela fica congelado durante os anos do parcelamento. Além disso, o valor não oscila de acordo com as bandeiras tarifárias — diz Pires. 

José Renato Colaferro, sócio-diretor da Blue Sol, conta que há uma procura crescente, por parte das famílias de classe média baixa, pela instalação de painéis fotovoltaicos. No entanto, o número de contratos fechados ainda é baixo.

— É como o celular, que começou como um artigo de rico, depois passou a ser de classe média e, hoje, todos têm acesso. Nos próximos dez anos, o mercado de energia solar passará por uma grande disrupção. O sistema, que antes custava R$ 40 mil, já está na faixa de R$ 15 mil, e a tendência é baixar ainda mais.


Empresas adotam sistema

A energia solar também tem sido utilizada por empresas e órgãos públicos como forma de economizar nas contas de luz. O Mercado Municipal do Rio (Cadeg), que fica em Benfica, na Zona Norte, instalou este ano um telhado solar com mais de cinco mil placas fotovoltaicas, com capacidade para gerar 1,8 MW, o suficiente para abastecer cerca de mil residências.

— O objetivo é que, além de sermos vistos como indutores de boas práticas sustentáveis, tenhamos uma redução de conta de energia, que passa a ser um grande atrativo para que os comerciantes — afirmou o presidente do mercado, Marcelo Penna.

O prédio da Secretaria estadual de Fazenda do Rio (Sefaz) ganhou uma micro-usina fotovoltaica em sua sede, no Centro. A instalação ocorreu sem custo para o estado, já que o prédio foi selecionado em 2018 para o Programa de Eficiência Energética. Os recursos são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na cobertura do edifício foram instalados 55 painéis fotovoltaicos.

A Renner começou a abastecer quatro lojas (Ipanema, Copacabana, Largo do Machado e Madureira) com energia solar produzida em uma fazenda solar localizada no município de Vassouras, construída e operada por um empreendedor parceiro. O espaço tem quatro mil painéis fotovoltaicos, com 1,32 MW de potência. “A aquisição de energia a partir da geração distribuída ainda garantiu para a Renner uma redução do custo de energia elétrica mensal de cada uma das lojas”, informou a rede.
 
Linhas de crédito disponíveis


Portal Solar

Em parceria com o banco Votorantim, o Portal Solar tem uma linha de crédito específica para a instalação de painéis solares. As taxas variam de 0,75% a 1,39% ao mês, dependendo do prazo de pagamento. Os juros mais baixos exigem entrada de 50% do valor do kit e parcelamento em 24 vezes. Para as demais taxas, o financiamento pode ser feito em até 60 vezes.


Bradesco

Tem uma linha de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) específica para financiar a compra e a instalação dos equipamentos geradores de energia solar. As taxas são a partir de 0,99% ao mês, com parcelamento em até 60 vezes, e carência de até 90 dias para fazer o primeiro pagamento. A modalidade está disponível para pessoas física e jurídica, apenas correntistas. Na hora da contratação, é necessário apresentar o orçamento com a descrição dos equipamentos e da mão de obra necessária.


Santander

Em 2018, o volume desembolsado para o financiamento de equipamentos solares, via Santander Financiamentos, somou R$ 251 milhões, com quase seis mil contratos firmados ao longo do ano. Para clientes Santander, o financiamento pode ser feito em 24 vezes (com taxa de 0,79% ao mês), 36 parcelas (0,99% ao mês), e 60 meses (1,08% ao mês). Nesta última opção, se o cliente oferecer garantias, a taxa mensal cai para 0,97%. Todas as condições dependem da análise de crédito. Para quem não é cliente do Santander, o equipamento também é parcelado em até 60 vezes, com condições especiais.


Banco do Brasil

A instituição financeira oferece aos clientes o BB Crediário, que pode ser usado para o financiamento de equipamentos e a instalação de painéis solares, no valor total de até R$ 50 mil, em até 48 meses, com taxa a partir de 1,89% ao mês, em estabelecimentos conveniados. O pagamento da primeira parcela pode ser feito em até 59 dias.


Caixa Econômica

O Crédito Direto Caixa (CDC) pode ser usado para financiar a instalação de painéis solares. As taxas de juros começam em 2,29% ao mês, com prazos de até 72 meses para pagar e valor máximo de financiamento de R$ 50 mil.

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