Redução de ICMS virou água no deserto com novo reajuste de combustíveis

A logo of Brazil's state-run Petrobras oil company is seen at their headquarters in Rio de Janeiro, Brazil October 16, 2019. REUTERS/Sergio Moraes
Foto: Sergio Moraes/Reuters

Avançou no Congresso, ao longo da semana, o projeto do governo que limita em até 17% o teto do ICMS sobre combustíveis, energia e transporte coletivo.

Numa conta de padaria, o ministro da Economia, Paulo Guedes, estimou que o impacto fiscal das medidas de desoneração será de R$ 25 bilhões a R$ 50 bilhões. Dobrar a meta quando chegar à meta, lembra?

Tal margem de erro mostra que Bolsonaro nunca precisou tanto do Posto Ipiranga, a rede de postos, não o economista, para se reeleger.

A situação econômica do país, com baixo crescimento, renda das famílias em queda e escalada inflacionária, será determinante para a decisão do voto dos eleitores em outubro. E esse cálculo não tem sido favorável ao capitão.

Ele projetava que o novo teto do ICMS aliviasse o mais breve possível o preço dos combustíveis nos postos, mas talvez o esforço de tal impacto fiscal não tenha tempo de ser sentido no bolso de quem interessa: o consumidor/eleitor.

Nesta sexta-feira (17/6), a Petrobras anunciou um novo reajuste nos preços dos combustíveis. O litro da gasolina nas refinarias vai subir de R$ 3,86 para R$ 4,06 por. Já o diesel passará de R$ 4,91 para R$ 5,61.

O reajuste acontece após três meses da última correção. Em março, o aumento foi de 18,7%. Vai somando.

A nova alteração contou com a anuência dos representantes do governo no Conselho de Administração da estatal.

Ainda assim, com a cara mais lavada, Bolsonaro correu a público para dizer que a Petrobras pode “mergulhar o Brasil num caos”.

Citou como exemplo o que aconteceu com a greve dos caminhoneiros em 2018, na qual ele mesmo, então um deputado de baixo clero e aspirante ao Planalto, surfou e deu apoio. O hoje presidente agora se assombra com as “consequências nefastas para a economia e a vida do nosso povo”.

Greve de caminhoneiros era refresco em 2018. Hoje é um barril de incêndio.

Sabendo disso, o capitão já cortou e jogou para a plateia as cabeças do ministro de Minas e Energia e três presidentes da estatal indispostos (ou incapazes) de segurar os preços como ele gostaria. Não era pedir muito. Bastava uma congeladinha aí de de dois ou três meses, como ele e seu Posto Ipiranga, o ministro, não o da rede, sugeriram a donos de supermercado a poucos dias. Só para atravessar o processo eleitoral em paz.

Sobre esse impasse, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, já sinalizava no começo da semana que o projeto de redução do ICMS recém-aprovado no Senado era nada mais do que uma medida eleitoreira que não reduziria a escalada de preços. Bingo!

A origem da disparada é um totem que Bolsonaro não quer ou não pode mexer: o preço de paridade de importação.

Para Bacelar, o sacrifício em Saúde e Educação nos estados para bancar a desoneração não teria qualquer efeito enquanto seguirem intocáveis os dividendos de acionistas privados da Petrobras. Bingo (2).

O reajuste nos combustíveis anunciado pela Petrobras colocou todos esses esforços no chão.

Bolsonaro achou que estava aguando com um caminhão-pipa de dinheiro público o terreno da sua vitória. Estava só regando o deserto.

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