Reduzir entraves ao comércio regional é chave para recuperação da América Central

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Navio de carga na eclusa de Miraflores, no Canal de Panamá, em 15 de abril de 2012

Os países da América Central devem incrementar a produtividade e reduzir os custos e as barreiras ao comércio para se recuperar da pior recessão de sua história, provocada pela pandemia e exacerbada pela passagem dos furacões Eta e Iota, avaliou o Banco Mundial em estudo publicado nesta segunda-feira (26).

"Estima-se que a plena implementação dos acordos de facilitação do comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC) reduziria os custos comerciais em 15,5%, aumentando o comércio intrarregional em 61% e o PIB da região em 4,3% até 2030", informou o organismo multilateral sediada em Washington.

O BM estimou que se esta redução de custos às transações com o México for ampliada, o comércio entre América Central e México aumentaria 130% e o PIB da América Central cresceria 6,7% até 2030.

Segundo o Banco Mundial, "estes países têm diante de si a oportunidade de dinamizar suas economias mediante uma série de reformas em áreas-chave", incluindo uma redução nos custos e barreiras para o comércio, investimentos em capital humano, inovação e mais infraestruturas.

"A taxa de pobreza na América Central aumentou de 35% para mais de 40% entre 2019 e 2020, devido à pandemia e também devido ao impacto provocado pelos furacões Eta e Iota", disse em uma apresentação virtual do estudo o vice-presidente para a América Latina do Banco Mundial, Carlos Felipe Jaramillo.

"Para reverter este aumento da pobreza é fundamental aumentar o nível de crescimento da atividade econômica", acrescentou o dirigente do Banco.

Segundo o estudo, na América Central os custos para o comércio são altos, equivalentes a tarifas alfandegárias de até 74%, e os custos de transporte também são altos: 0,17 dólar por tonelada-quilômetro. Como parâmetro de comparação, na África subsaariana o custo varia entre 0,06 e 0,11 dólar e nas economias avançadas, entre 0,02 e 0,05 dólar.

O Banco informou que, em média, "os custos de transporte representam cerca de 2,6% dos gastos não relacionados com o valor agregado nos países" e que na Guatemala e em Honduras este desembolso é ainda maior.

"Em setores mais dependentes do transporte, como a agricultura e os produtos comestíveis, a proporção dos gastos com os transportes é de 4,5%", informaram os economistas do Banco.

Os especialistas do organismo multilateral advertiram, ainda, que a baixa taxa de investimento público em infraestrutura de transporte não ajudou e que diante do impacto da covid-19, isto deveria se tornar uma prioridade.

"À medida que a recuperação da atual contração econômica ganhar força, os países deveriam acelerar a abertura de seus regimes de comércio", concluíram os especialistas.

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