Reduzir poluição e aumentar áreas verdes pode evitar 11 mil mortes por ano em São Paulo

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.04.2021 - Prédio de alto padrão sendo construído na rua Astorga, na Vila Guilhermina, zona leste de São Paulo. A periferia de São Paulo esta passando por uma grande verticalização, plano diretor, prestes a ser revisto, incentivou adensamento nos eixos modais. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapres) ORG XMIT: AGEN2104211623050685
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 21.04.2021 - Prédio de alto padrão sendo construído na rua Astorga, na Vila Guilhermina, zona leste de São Paulo. A periferia de São Paulo esta passando por uma grande verticalização, plano diretor, prestes a ser revisto, incentivou adensamento nos eixos modais. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapres) ORG XMIT: AGEN2104211623050685

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A cidade de São Paulo poderia evitar anualmente 11.372 mortes caso melhorasse seus indicadores ambientais de poluição do ar, aumentasse suas áreas verdes e reduzisse em 1°C sua temperatura média diária, indica um novo estudo que tentou estimar o impacto na saúde de políticas públicas aplicadas na maior cidade do país.

O número equivale a 17% do total de mortes por causas naturais registrado anualmente na população adulta (com 20 anos ou mais) do município. Os dados, de 2017, são do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM-SP).

Do total de mortes, 8.409 foram atribuídas à poluição acima dos índices recomendados, 2.593 à falta de espaços verdes e 370 ao excesso de calor diário.

A pesquisa é liderada pela brasileira Evelise Pereira Barboza, doutoranda do Instituto Global de Saúde (ISGlobal) e da Universidade de Pompeu Fabra (na Espanha), e por pesquisadores de instituições europeias e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Universidade de São Paulo.

A estimativa do impacto foi feita a partir de modelos matemáticos que calcularam quantas mortes podem ser atribuídas aos níveis acima do recomendado de concentrações de poluentes na atmosfera ou a excesso de temperatura, por exemplo.

No caso de São Paulo, os pesquisadores fizeram a análise de qual seria a redução nas mortes se a cidade atingisse os níveis recomendados internacionais, como preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ou com base em referências locais, comparando os bairros.

Por exemplo, para a análise de mortalidade associada à poluição do ar, foi utilizada como referência a concentração máxima de 10 µg/m3 de dióxido de nitrogênio (NO2) e no máximo 5 µg/m3 de material particulado de dimensão 2,5 (PM2,5), ambos limites recomendada pela OMS. O estudo usou dados até 2017 da Cetesb, que apontavam que São Paulo possuía 41,2 µg/m3 de NO2 e 16,6 µg/m3 de PM2,5.

Em relação às áreas verdes, a recomendação da OMS é que todos tenham acesso a elas. A Prefeitura de São Paulo produziu, em 2021, um relatório sobre a distribuição da cobertura vegetal na cidade, mas os dados utilizados no estudo foram anteriores ao relatório atualizado.

No estudo, a distribuição de espaços verdes foi analisada por distritos da cidade através de monitoramento por satélite da concentração de árvores em cada região (valor de 0 a 1). Como referência, foi utilizada a cobertura vegetal de bairros modelo, como Pinheiros e Jardim Paulista, que ficam no centro expandido e possuem área verde maior do que a média da cidade (0,251).

Esses bairros modelos possuíam um índice de vegetação igual a 0,318, na média. Assim, os pesquisadores compararam os outros locais da cidade com esse valor. Por exemplo, Cantareira é uma área com cobertura vegetal acima da média de Pinheiros e Jardim Paulista (0,393 a 0,860), mas é pouco habitada. Já o distrito da Sé, no centro, possui cobertura vegetal abaixo (entre -0,085 e 0,153).

Por fim, para a temperatura média diária, os dados foram obtidos a partir das medições nas estações meteorológicas municipais, fornecidas pelo CGE da prefeitura, com a estimativa de redução de 1°C por meio do plantio de árvores, maior permeabilização do solo e diminuição do tráfego de veículos. A temperatura média diária na cidade de São Paulo considerada foi de 19,5°C, em 2017.

Segundo Barboza, a pesquisa é importante por ser a primeira a de fato quantificar como as ações voltadas para o planejamento urbano e meio ambiente impactam diretamente a saúde populacional.

"O orçamento de saúde não deve ser só aquele que é aplicado para hospitais, ele deve também considerar qualidade do ar, e como isso impacta na qualidade de vida", afirma.

À reportagem, o secretário-executivo de Mudanças Climáticas do município, Antonio Fernando Pinheiro Pedro, disse que a secretaria criou um plano com o objetivo de reduzir em pelo menos 30% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, começando com a mudança parcial da frota de ônibus por veículos elétricos.

Em relação à arborização da cidade, ele reconheceu que a distribuição de árvores é desigual, e disse que está dentro do Plano Municipal de Arborização Urbana (Pmau) aumentar as áreas verdes da cidade, incluindo a criação de dois grandes parques até 2024. Segundo o secretário, a desigualdade na cobertura vegetal urbana "em áreas densamente povoadas comparados ao Jardins pode produzir uma diferença de temperatura média diária de até 6˚C na cidade".

Já a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde, disse que o Vigiar, programa voltado à análise de risco de saúde pela poluição do ar, realiza o monitoramento, através de Unidades Sentinela, do aumento de incidência de doenças respiratórias no público infantil que possam estar ligadas à poluição.

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