Reestruturação ou debandada? Entenda o que acontece com o futebol feminino do Fluminense

Luiza Travassos, Luany, Nicole... Quem acompanha o futebol feminino do Fluminense percebeu a quantidade de saídas do elenco desde o encerramento do Brasileirão A-2, em julho de 2021. Nas redes sociais, a narrativa é de que houve uma "debandada" na delegação. Internamente, porém, a palavra reestruturação é mais usada. O GLOBO foi atrás desta história e mostra como está sendo feito este processo e em qual estágio está a categoria no Fluminense atualmente.

Entre todas as saídas, é consenso entre atletas e coordenação que a que mais causou movimentação do clube aconteceu fora de campo: a saída de Thaissan Passos. Tida como uma das "mães" do futebol feminino do Fluminense, assim como a gerente Amanda Storck. Após o quarto ano nas Laranjeiras e sem o acesso para a A1 em 2021, havia o desejo da comandante de buscar novos desafios. Então, o terreno foi preparado para a sua saída ao final da temporada.

O Fluminense fez uma série de entrevistas que culminaram na escolha de Ricardo Silva como substituto. O nome de Carine Bosetti também foi bem cotado, mas pesou a experiência de Ricardo na formação de jovens atletas. Seu último trabalho foi no Santos, onde formou diversas atletas que atuam nas seleções brasileiras de base atualmente, como Laura Valverde, Luaninha, Sassá e Nicole Marussi. Douglas Oliveira, ex-São Paulo, também foi contratado para a base.

Internamente, há um incômodo com a palavra "debandada" porque boa parte da saída das atletas foi planejada ou de decisão do próprio Fluminense. No caso mais emblemático, a ida de Luiza Travassos para os Estados Unidos, o clube já sabia da decisão da atleta há meses. Os pais da volante já haviam informado que ela deixaria o Brasil para estudar fora quando atingisse a maioridade. Um clube da Série A-1 tentou a contratação de Travassos quando a mesma estava no Fluminense, mas desistiu após saber da escolha da família da atleta.

Outra saída que chamou atenção foi a de Luany para o Grêmio. A atacante estava acertada com o clube gaúcho há alguns meses em 2021, mas uma conversa a manteve até o final da temporada atuando pelo Fluminense. A goleira Ravena e a lateral Sabrina Amorim foram para o Corinthians porque desejaram seguir junto de Thaissan Passos. Outras atletas também foram desligadas por decisão do próprio clube, seja por não atender a aspectos técnicos ou disciplinares.

Principal alvo de reclamação dos torcedores, a implementação de contratos profissionais para as atletas está no planejamento da categoria. Os "próximos passos" planejados a curto prazo são de seguir melhorando a estrutura do futebol feminino em Xerém. Obras são previstas para seguir integrando o futebol feminino no CTVL. Cabe lembrar que, desde 2019, a existência da modalidade é obrigatória já que a Conmebol exige para que os clubes disputem torneios internacionais no masculino e no feminino. A CBF também obriga para disputa da Série A do Brasileiro.

Enquanto isso, a preparação segue mesmo com o Brasileiro A2 estando atrasado. Entre base e profissional, 26 atletas chegaram ao Fluminense e fazem a avaliação interna ser de que neste ano há mais chance de acesso do que nos anteriores.

Este é o ponto que faz o Fluminense usar a palavra "reestruturação". Apesar de as reforços serem nomes pouco conhecidos do público, boa parte das atletas tiveram experiência na Série A1 — como a atacante Nadine Dias, a goleira Nágila ou a lateral Thaini Nunes — ou foram bem avaliadas pela captação. No elenco deste ano, há o entendimento de que as atletas estão melhores na parte física e — principalmente — nos conceitos táticos. Até mesmo quem permaneceu evoluiu neste ponto pela sequência do projeto.

Esterfany, de 18 anos, é um exemplo desta evolução e está sendo tratada como uma promessa do futebol feminino. Com passagens por Sport e Bahia, ela é uma das que tiveram experiência atuando em outros clubes. Outra atleta tratada com carinho é a goleira Mariana Ribeiro, de 16 anos. Ela era atleta de salto em distância antes de fazer o teste para virar goleira. Tomou de assalto a titularidade pela sua envergadura e técnica e seria convocada para o Sul-Americano Sub-17 se não tivesse lesionado. Não deve demorar para ganhar uma oportunidade entre as profissionais do Fluminense.

Apesar da falta de contratos profissionais, o Fluminense também tem conseguido resistir a algumas investidas em outras destaques do elenco. Por exemplo, as gêmeas Duda e Luiza Calazans, que são constantemente convocadas para a seleção brasileira de base, foram alvos de pelo menos três clubes da Série A1. Coube ao clube apresentar um projeto de carreira a longo prazo para mantê-las em Xerém. O mesmo aconteceu com a atacante Laysa, que foi alvo do Flamengo.

Para fazer contratações, o futebol feminino do Fluminense está adaptando a filosofia usada pela base masculina para formação de atletas em Xerém. Busca contratações que se adequem ao estilo de jogo que o clube deseja ter. Neste momento, há a preferência por jovens para formá-las desde o início. "Uma página em branco para ser moldada", conta uma pessoa desta área. Além da parte técnica, também é analisado aspectos sociais e psicológicos.A maior parte dos nomes indicados pelo clube vêm dos analistas ou da captação.

No atual cenário, o Fluminense ainda aguarda a CBF oficializar as datas e o regulamento do Campeonato Brasileiro A2, que já deveria ter começado. O clube, ao lado do Corinthians, foi contra a mudança da entidade com relação as categorias de base, que subiu a faixa etária de 18 para 20 anos por motivos diferentes. No caso do tricolor, isso atrapalharia a formação e desenvolvimento de atletas da categoria.

A CBF divulgou a tabela do Campeonato Brasileiro A-2. Fluminense caiu no Grupo B, ao lado de Bahia, Botafogo e Vasco. Estreia será no dia 11 de junho, diante do Bahia, em Laranjeiras, às 15h.

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