'Refeita', enfatiza Isabel Fillardis após passar por problemas financeiros e câncer

O Globo
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Isabel Fillardis continua trilhando o caminho rumo ao sucesso. Na última terça-feira, a atriz, e agora cantora, publicou mais uma de suas músicas gravadas para o projeto musical "Refeita", que faz alusão à superação dos problemas financeiros — que a quase deixou passar fome com os filhos — e à recuperação de um câncer na língua.

"REFEITA, pra falar de Amor. Quando eu ponho essa equação : 1+1=2, eu digo que somos um em nossa individualidade e que podemos somar e misturar mas sem perder nossa essência. Misturando Caso Sério ( de Rita Lee) com Mil e Uma Noites de Amor ( de Pepeu Gomes e Baby do Brazil) vcs vão ver essa equação , assim como eu acredito que seja no AMOR", escreveu ela na legenda do vídeo postado em seu perfil do Instagram.

Capa da ELA do dia 24 de janeiro, a atriz abriu o jogo sobre episódios de racismo, a penumbra, o tumor e o "nascimento" de uma nova Isabel.

Racismo

“Eu comecei a entender o racismo na TV. Na moda, tapava-se o sol com a peneira e eu, na minha ingenuidade, passei batida. Só a questão da maquiagem me incomodava. Quantas vezes, me vi com a pele cinza e isso doía. Mas foi na televisão que me deparei com um episódio marcante. Interpretei uma executiva numa novela, ela era importante na trama. As atrizes têm uma maleta com joias e adornos do figurino. No dia da prova de roupa, notei que a caixa de todas estava recheada e a minha, praticamente vazia. Lembro de ter falado: ‘Gente, só tem esses brincos pequeninos? Acho que essa mulher é mais poderosa’. Não adiantou. Acabei pedindo para um joalheiro amigo desenvolver algumas peças. Quinze dias depois, cheguei ao estúdio e falei: ‘Olha o presente que ganhei para a personagem!’. Naquela altura, já era superconhecida, não cabia fazer aquilo. Vai dizer que foi o quê? Preconceito.”

Penumbra

“Jamal nasceu em 2003 com Síndrome de West. Nos primeiros anos, precisei me dedicar completamente ao meu filho e isso fez com que me distanciasse do trabalho. Quantas vezes tive que voltar correndo para casa devido às suas crises convulsivas. Em 2007, quando finalmente consegui deixá-lo equilibrado, o meu corpo falou. Falou não, berrou. Desenvolvi uma doença autoimune na pele do rosto chamada Líquen Plano. Um grande melasma preto tomou conta de toda a minha face e, por causa disso, também tive alopecia. A maquiagem não aderia, o que me impossibilitava de atuar e me fez perder um contrato com uma gigante da indústria da beleza. Estava proibida de tomar sol e de ter contato com luminosidade de qualquer tipo. Atravessei um longo período na penumbra. Na época, ninguém perguntou o que estava acontecendo, as pessoas se afastaram. Conto nos dedos das mãos quem ficou ao meu lado. Em 2010, descobriram a causa e eu comecei a me tratar com aplicações de laser. Percebi que havia algo errado comigo: eu tinha aberto mão de um monte de coisas e me deixado para trás. Minha autoestima estava no pé. Comecei a fazer terapia.”

Tumor

“Antes mesmo de engravidar do Kalel, em 2013, notei uma afta na língua. Minha gravidez foi de alto risco devido a uma inflamação no colo do útero. Do sexto mês em diante, passei deitada. E a afta só aumentava. No fim da gestação, parecia uma couve-flor. Porém, estava preocupada com o meu filho, que nasceu prematuro e teve que ficar 15 dias na UTI. Pouco depois de o Kalel se recuperar e vir para a casa, eu e Júlio César nos separamos. Durante uma visita da minha ex-cunhada, que é dentista, comentei sobre a afta. Quando ela viu, falou que me levaria a um estomatologista no dia seguinte. Uma biópsia e duas semanas depois, saiu o resultado: tumor maligno. No mesmo dia, procurei o cirurgião de cabeça e pescoço Jacob Kligerman. Ele falou: ‘Isabel, minha filha, você não fuma nem bebe, como conseguiu ter um câncer na língua? Isso não é comum’. Ele me falou que faria todo possível para tirar um pedaço da língua sem comprometer a minha fala. Passei por duas cirurgias até ser considerada curada e, então submetida a 20 sessões de fonoterapia.”

Refeita

“O voltar a cantar veio com a nova mulher que sou hoje e no desejo de ocupar o espaço que deixei lá atrás. Em 2018, ao lado do produtor Tony Prada, comecei a buscar compositores que pudessem falar sobre tudo que eu vivi. Algumas canções foram encomendadas, outras chegaram prontas. Gravei o EP ‘Bel muito prazer’ no fim de 2019 e veio a pandemia. Quando tudo parou, voltei-me para as redes sociais e lancei um quadro chamado ‘Diário de bordo de mãe’. São relatos que tiram o lado lúdico da maternidade, as mulheres se identificam muito. Também senti necessidade de criar conteúdos musicais acústicos para os meus seguidores, novos e antigos, me verem cantando. Quatro videoclipes fazem parte do projeto chamado ‘Refeita’ (que ela acaba de lançar nas redes sociais, e que você pode conferir no site da ELA). Vou soltar as músicas aos poucos. O EP vai ser lançado em março. Em paralelo, estou finalizando um documentário sobre a minha trajetória musical, vou filmar o longa ‘O faixa-preta’ e publicar minha biografia no segundo semestre. Estou inteira: 2021 vai ficar marcado como o ano do meu renascimento.”