Reforço do Flamengo, Everton Cebolinha sofreu com crise do Benfica e alta expectativa

A empolgação da torcida do Flamengo com a vinda de Everton Cebolinha, num negócio de 16 milhões de euros (R$ 86 milhões hoje), vem acompanhada de uma dúvida: dois anos depois de deixar o Grêmio como a segunda maior venda da história do clube, como o ponta esquerda retorna ao Brasil?

Cebolinha — que fez exames médicos na sexta-feira e desembarca neste sábado no Rio para assinar contrato por cinco anos — passou duas temporadas no Benfica. Chegara em Lisboa sob grande expectativa. Jogador de seleção, indicado por Jorge Jesus e contratado por 20 milhões de euros, quantia alta até para os padrões do clube português. Acabou vítima deste peso.

A primeira temporada de Cebolinha não chegou a ser ruim. Ele entrou em campo 48 vezes, sendo 35 como titular. Colaborou diretamente com 18 gols do Benfica, sendo oito marcados por ele e mais dez assistências.

Na segunda, Cebolinha não só conviveu com a expectativa por mais protagonismo como viu o ambiente do time implodir. Resultados não alcançados e desentendimentos com os jogadores levaram ao afastamento de Jorge Jesus e à entrada do interino Nelson Veríssimo. O brasileiro não se destacou e ainda caiu de rendimento em relação ao primeiro ano.

Na temporada 2021/22, foram 47 partidas (33 como titular). A minutagem passou de 3.017 na primeira para 2.838 na última. A participação nos gols também caiu. O ponta marcou sete e deu mais sete assistências.

Para o jornalista português Pedro Rocha, do jornal O Jogo, Cebolinha foi prejudicado pelo drama vivido pelo Benfica. O atacante nada pôde fazer por um clube contaminado pela crise. E acabou ficando marcado por ter chegado com o status de sensação do futebol brasileiro:

— Acho precipitado dizer que o Everton foi uma decepção no Benfica. Poderia ter rendido mais. Mas, quando há mudanças, estas coisas acontecem muito. Ele era uma aposta do Jorge Jesus, e o técnico não está mais lá. Até o presidente que o contratou já não está mais lá.

O jornalista lembra que outros jogadores se desgastaram com a turbulenta temporada do Benfica:

— Quando o capitão (Pizzi) começa a temporada numa equipe e acaba em outra é sinal de que as coisas não correm bem. A temporada não foi favorável a vários jogadores.

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