Ala ideológica reforça discurso de Bolsonaro que minimiza pandemia de coronavírus

Debora Álvares

O presidente Jair Bolsonaro não está sozinho no discurso que minimiza a pandemia de coronavírus no Brasil. Enquanto o mundo luta contra o novo vírus, com quase 500 mil pessoas contaminadas e mais de 22 mil mortes, o mandatário chama atenção para os efeitos negativos das medidas de controle da doença na economia. Ficar em casa, principal recomendação de cientistas e da OMS (Organização Mundial da Saúde) para desacelerar o ritmo com que o vírus se espalha, tem como efeito colateral o congelamento da atividade econômica. 

Ao lado de Bolsonaro — e contra governadores e prefeitos que frisam a recomendação de isolamento social — estão ministros e personalidades como o guru ideológico do governo, Olavo de Carvalho. Para ele, o vírus é uma “invenção”. 

Olavo tem compartilhado notícias e até gravado vídeos em que defende essa teoria. Essa linha de raciocínio é replicada pela família Bolsonaro ao acusar a China de provocar a pandemia por interesses econômicos - o que gerou o mal estar com os chineses após comentário do filho do presidente e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). 

O olavismo virou uma corrente aliada ao bolsonarismo, com adeptos entre os apoiadores do presidente e com grande influência. E sua narrativa tem abastecido redes sociais e grupos de WhatsApp ― ferramentas que ajudaram o bolsonarismo a chegar ao poder. O grupo ideológico do governo e que gravita em torno do presidente ajuda a disseminar o discurso conveniente a Bolsonaro neste momento. 

No momento em que o grupo fala em “invenção”, a OMS adverte que, do dia 11, quando o novo coronavírus passou a ser considerado uma pandemia até o início desta semana, o ritmo de disseminação do vírus está acelerando. Segundo a entidade, ainda é possível reverter o quadro com a realização de testes e respeito à quarentena.

“Distância social e isolamento em casa...

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