Reforma administrativa pode virar 'veneno' se tiver dosagem errada, diz Bolsonaro

Daniel Gullino

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que é preciso tomar cuidado com a "dosagem" da reforma administrativa para que ela não se transforme em um "veneno". Em entrevista à Rádio Itatiaia, Bolsonaro disse que a equipe econômica entendeu sua decisão de adiar o envio da reforma.

— A questão da administrativa é (uma) questão do tempo. Temos que saber a dosagem, porque às vezes um remédio muito forte pode transformar-se em um veneno. E essa preocupação existe, a equipe econômica entendeu — afirmou.

Bolsonaro disse estar "perfeitamente alinhado" com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e afirmou que, enquanto a equipe econômica pensa em "números", ele cuida da "parte social e política".

— Eu sei que lá o pessoal pensa muito em números, mas na parte social e política, fica para o meu encargo. Assim como ouço o Paulo Guedes, 90% do que ele fala, ele me ouve 90% a minha posição política. Estamos perfeitamente alinhados no tocante a isso daí.Com a reforma administrativa, o governo quer reduzir o que considera privilégios de algumas categorias de servidores e cortar as despesas com pessoal, o segundo maior gasto do Executivo, depois da Previdência.

Em entrevista ao GLOBO publicada no domingo, Guedes afirmou que Bolsonaro apoia as reformas, mas está preocupado com o "timing político".

— O presidente apoiou o programa até hoje. Apoiou a reforma da Previdência, o pacto federativo, mas diz que é uma questão de timing político. É falso dizer que o presidente não apoia a reforma administrativa, por exemplo. É timing político.