Reforma da Previdência na Câmara se recusou a tratar o futuro, diz Paulo Tafner

Diego Iraheta
Paulo Tafner estima economia de R$ 880 bi a R$ 920 bi com reforma da Previdência aprovada na Câmara em 1º turno.

Em seu discurso de vitória antecipada pela aprovação da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), exaltou na semana passada “uma das pessoas que mais entendem de Previdência” no Brasil. O crédito foi ao economista Paulo Tafner, doutor em Ciência Política, ex-coordenador do grupo de estudos de Previdência do IPEA no Rio de Janeiro e ex-diretor do IBGE. Tafner e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga coordenaram a elaboração da proposta entregue ao governo Bolsonaro, no fim de 2018, para alterar o sistema de aposentadorias do País.

Com as mudanças no texto-base, aprovado por 379 votos a 131 na Câmara, Tafner estima que a economia com a reforma da Previdência será de R$ 880 bilhões a R$ 920 bilhões em dez anos. É aquém do R$ 1 trilhão projetado, mas um montante positivo na avaliação de Tafner. ”É um valor alto; há dois anos, na reforma do governo Temer, nós estávamos discutindo economia de R$ 400 bilhões”, afirma.

Em entrevista ao HuffPost, Paulo Tafner analisa a reforma tal como passou no primeiro turno na Câmara. Critica a exclusão de estados e municípios do projeto e explica como o atual gasto com Previdência compromete investimentos no País.

Não só investimentos, mas mesmo o custeio do básico. “Estou falando que falta dinheiro para a gasolina nas viaturas da Polícia Militar. Para a manutenção de ambulância”, enumera. “A gente já queimou muito a carne, estamos no osso. Não se trata de governo ‘fazer maldade’, é a absoluta falta de dinheiro.”

O fim do bônus demográfico [quando a população economicamente ativa supera a inativa], alardeado no início da década por Tafner em seu livro Demografia: A Ameaça Invisível (Elsevier, 2010), pode aumentar ainda mais o rombo da Previdência — R$ 309 bilhões em 2019, segundo projeções do governo. Isso porque pelo modelo de repartição, adotado atualmente no Brasil, as aposentadorias são pagas com a contribuição dos...

Continue a ler no HuffPost