Reforma iniciada em 2016 dá nova vida a casarão histórico

Jacqueline Costa
·3 minuto de leitura

RIO — Restaurar um imóvel histórico maltratado pelo tempo e pela falta de conservação — e que já foi a residência da família do marechal Ângelo Mendes de Moraes, prefeito da cidade entre 1947 e 1951 — é uma tarefa cheia de percalços e muitas histórias para contar. Mas que é enfrentada há quatro anos pelo arquiteto e urbanista Thoni Litsz (@thonilitsz), que adquiriu o casarão e deu nova vida a ele.

—O projeto leva a minha alma na assinatura. Aqui invisto tempo, dinheiro, amor , dedicação e perseverança. Perdi noites de sono ao tentar criar uma nova história para uma casa que estava praticamente destruída pelo tempo e pela falta de manutenção. Na live, vou falar sobre os maiores desafios que tive e que ainda tenho de enfrentar, além de contar histórias de bastidores. Transformar um imóvel tombado em uma casa conchegante e confortável do século XXI não é fácil —afirma Litsz.

O Solar das Laranjeiras, como o imóvel foi batizado pelo marechal, localizado na Rua Senador Pedro Velho, no Cosme Velho, tem cerca de 600 metros quadrados de área construída, além de mais 500 metros quadrados de terreno. Desde 2006, a casa, erguida em 1911, é tombada pelo poder municipal, por meio do Instituto Rio Patrimônio Histórico (IRPH).

—Eu comprei uma caixa vazia. Ou seja: uma casa que não tinha absolutamente nada, com parte da estrutura caindo. Tive que reforçar várias partes. Nada aqui foi aumentado. Apenas refizemos tudo — conta o arquiteto.

Na fachada, Litsz optou por preservar o tom de azul claro original do imóvel. Para o mobiliário, escolheu peças que falassem a mesma linguagem da arquitetura eclética do solar. Na decoração, muitos lustres de cristal, pratarias, arte sacra e peças de porcelana. Espalhados por quase todos os cômodos, os vitrais coloridos não passam despercebidos.

Ao longo dos últimos anos, o Solar das Laranjeiras (@solardelaranjeiras) tem servido de cenário para novelas, comerciais e ensaios de moda, como o que estampou a capa da edição de 19/12 do GLOBO-Zona Sul.

—Foi a forma que encontrei para ajudar a restauração minuciosa que iniciei há quatro anos —diz Litsz.

A pandemia interrompeu o sonho de Litsz de transformar o Solar das Laranjeiras em um espaço para oficinas de restauro e de pintura, cursos e eventos. Mas ele não ficou parado. Depois de colocar a mão na massa para criar e executar com esmero colchas, cortinas, roupas de cama e passamarias para a sua própria casa, ele resolveu estender o serviço aos amigos. Agora, o seu ateliê (@atelierdosolar) já conta com pedidos de clientes. Ele explica como tudo começou:

— Depois de receber orçamentos exorbitantes para a confecção de uma cortina de quase seis metros de largura, resolvi eu mesmo fazer o trabalho.

Não é só. O arquiteto, que já participou da Casa Cor e tem projetos espalhados pelo Rio, também vende seus quadros. Ele dá destaque ao estilo acadêmico (clássico) adaptado ao atual. Mais novidades podem vir, avisa:

—A pandemia me parou, mas tenho planos de realizar visitas guiadas no futuro. O Solar de Laranjeiras é um lugar para quem aprecia arte, história, arquitetura e música.

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