Reforma tributária deve ser prioridade em eventual novo governo Lula, diz ex-ministro

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.08.2016 - O ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa. (Foto: Alan Marques/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.08.2016 - O ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa. (Foto: Alan Marques/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A política econômica de um eventual novo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ser direcionada ao combate à pobreza, mas também tendo como foco avançar na pauta de reformas econômicas.

Segundo Nelson Barbosa, ministro da Fazenda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, caso o petista vença as eleições de 2022, seu primeiro ano de governo precisa ser usado para tratar de mudanças importantes na estrutura da onerosa máquina pública do país.

Uma reforma tributária que possa ajudar a destravar potencial de crescimento econômico para 2023 e 2024 foi apontada como uma das prioridades dentro da agenda de candidatura do ex-presidente Lula.

"Lula é um experiente líder, que consegue lidar com as pressões políticas, enquanto parece que o [presidente Jair] Bolsonaro [sem partido] não quer ser o presidente, que ele não quer tomar as decisões. Acho que vai ser uma completa tragédia se ele [Bolsonaro] for reeleito", afirmou Barbosa, durante evento do banco de investimento Bradesco BBI na tarde desta terça-feira (16).

O ex-ministro disse que a economia brasileira tem potencial de crescer ao redor de 3% ao ano, sem que sejam criadas grandes pressões inflacionárias. Muitos investimentos no setor privado foram postergados pela incerteza sobre o quadro político do país à frente, mas que devem ser retomados quando houver uma clareza maior no horizonte, disse Barbosa.

"Se as coisas ficarem menos caóticas, muitos projetos, mesmo do setor privado, podem ser implementados, e podemos acelerar o crescimento em 2023 e 2024", afirmou o ex-ministro, que disse que vem participando das discussões em torno da plataforma econômica da candidatura petista.

Ex-presidente do BC (Banco Central), Gustavo Franco afirmou que a expectativa quanto a um período de elevada volatilidade nos preços dos ativos no mercado nos próximos meses por conta das eleições pode acabar desapontando muita gente.

Ele chefiou a autoridade monetária de agosto de 1997 a março de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso.

"Toda vez que as pessoas dizem que vai ter volatilidade no mercado de câmbio, [essa volatilidade] já aconteceu. Os mercados são mais rápidos do que se pode imaginar. Por isso, talvez a gente não veja muito mais volatilidade a partir de agora até as eleições, porque já vimos essa volatilidade acontecer. Os mercados se antecipam", disse Franco durante o evento do banco.

Christopher Garman, diretor para as Américas da consultoria política Eurasia Group, afirmou que o cenário-base com o qual trabalha aponta para uma disputa no segundo turno entre Lula e Bolsonaro, com a vitória do ex-presidente como sendo o desfecho mais provável hoje.

Garman afirmou também que espera que o discurso do petista guarde alguma semelhança com o que foi observado no recente processo eleitoral nos Estados Unidos, em que o presidente americano Joe Biden seguiu por uma linha em direção ao centro político, com vistas a uma unificação.

"Acredito que o melhor script [planejado pelo PT] é apresentar Lula como um candidato que pode unificar o país, contra uma administração que eles vão dizer que o dividiu", disse o especialista.

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