Refugiados apontam moradia como maior problema enfrentado em SP

Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil

Refugiados moradores da capital paulista apontaram o alto preço do aluguel como o maior problema enfrentado por eles em São Paulo. Além dos preços, eles também mencionaram dificuldades para preencher exigências das imobiliárias para firmar o contrato, como a necessidade de fiador ou adiantamento de pagamentos. Os dados são da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Brasil.

“Eles têm a tendência de morar em favelas e assentamentos informais em condições muito precárias. Muitos acabam também pagando aluguéis muito altos porque não conhecem o local, não conhecem a cultura, não sabem falar o idioma e podem sofrer daquele preconceito de que o estrangeiro tem que pagar mais”, disse hoje a representante da ACNUR no Brasil, Isabel Marquez.

No levantamento, os refugiados apontaram preços abusivos de aluguel mensal de até R$ 900 para poder morar em um quarto compartilhado com outras cinco pessoas. “Por essas vulnerabilidades, os refugiados e as refugiadas acabam sendo expostos um pouco mais à exploração, à detenção, ao assédio, à discriminação e também à violência sexual e de gênero, e até ao contrabando humano”, ressaltou Isabel Marquez, que participou de um debate sobre arquitetura sustentável na capital paulista.

O número de refugiados no Brasil é de aproximadamente 10 mil pessoas, segundo a ACNUR. Desse total, 25% são mulheres. Na cidade de São Paulo, os refugiados somam cerca de 3,2 mil pessoas. Atualmente há aproximadamente 30 mil solicitações de refúgio ao Brasil, o que representa um crescimento de 2.800% nos últimos 5 anos.