Região etíope do Tigré tem 80% da área incapaz de receber ajuda humanitária (Cruz Vermelha)

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Refugiados etíopes que huyeron del conflicto en Tigré llegan al campamento Tenedba en Mafaza, en el este de Sudán, el 8 de enero de 2021

O diretor da Cruz Vermelha da Etiópia disse nesta quarta-feira (10) que 80% da região do Tigré, onde o governo realiza uma intervenção militar desde novembro, não tem acesso à ajuda humanitária.

O anúncio gerou temores de que a região seja palco de uma catástrofe humanitária três meses depois que o primeiro-ministro Abiy Ahmed, Prêmio Nobel da Paz de 2019, anunciou uma operação militar para tirar do poder a Frente Popular de Libertação do Tigré (TPLF).

"80% do Tigré está inacessível neste momento", afirmou o diretor da Cruz Vermelha Etíope, Abera Tola, em uma entrevista coletiva virtual a partir de Addis Abeba.

Houve mortes por fome e os saldos de vítimas fatais podem subir rapidamente, alertou.

"O número hoje pode ser um, dois ou três, mas isso significará milhares em um mês. Depois de dois meses, serão dezenas de milhares", acrescentou ele.

De acordo com Abiy, a campanha militar empreendida no Tigré ocorreu em resposta a vários ataques da TPLF contra acampamentos do exército.

No final de novembro, o primeiro-ministro anunciou a vitória das Forças Armadas após a tomada da capital regional, Mekele, mas de acordo com trabalhadores humanitários e diplomatas, a insegurança prevalecente dificultou a chegada de ajuda humanitária.

Nesta quarta-feira, Abera explicou que as ONGs só tinham acesso às estradas principais ao norte e ao sul de Mekele, e não às áreas rurais.

Os civis deslocados que conseguiram chegar aos campos das cidades de Tigré estão "esqueléticos", segundo o diretor.

"Às vezes é muito difícil ajudá-los, na falta de alimentos com alto valor nutritivo", explica.

De acordo com a Cruz Vermelha Etíope, cerca de 3,8 milhões dos seis milhões de pessoas que vivem no Tigré precisam de ajuda humanitária.

O governo indicou que está trabalhando com as Nações Unidas e organizações humanitárias para aumentar a ajuda na área, quando for seguro fazê-lo.

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