Região Sul tem taxa de transmissão de coronavírus de 1,87, a maior do país

Cleide Carvalho
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Info Tracker
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SÃO PAULO -- O Sul éa região do país com maior taxa de aceleração de transmissão docoronavírus. Segundo dados do Info Tracker, ferramenta que monitorao avanço dos casos de Covid-19 no país, a taxa média dos trêsestados da Região Sul alcançou 1,87 nesta quarta-feira, bem acimada média do Brasil, que é de 1,15. A ferramenta é do Centro deCiências Matemáticas Aplicadas à Indústria, desenvolvida porprofessores da Universidade de São Paulo (USP) e Unesp com base nosregistros das autoridades de saúde.

- A região do Sulpreocupa porque a curva de aceleração de casos é ascendente. Desdeo início de outubro a taxa está acima de 1, que é o nívelconsiderado de controle para a doença e significa que cada pessoatransmite o vírus para mais uma. Acima de 1, há descontrole natransmissão do vírus - explica Wallace Casaca, um dos cientistasresponsáveis pela plataforma.

Outro indicador ruimpara a região é o tempo médio entre a internação e o desfecho docaso - alta do paciente ou óbito. Em média, cada doente permaneceinternado por 23 dias - quatro a mais do que a média brasileira. Naregião Sudeste, por exemplo, essa média é de 18 dias.

A plataforma indica queapenas as regiões Centro-Oeste e Norte estão com índice abaixo de1 – d e 0,73 e 0,54, respectivamente.

Casaca explica que aregião Norte teve um repique de casos, mas o indicador voltou acair. No Sul do país, não há qualquer sinal de queda desde oinício de novembro, quando a taxa estava em 1,3.

Paraná: mais contatos e menos cuidados

Nesta terça-feira, oParaná registrou aumento de 80,3% na média móvel de casos em setedias, na comparação com 14 dias atrás. A região que mais preocupaé a de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, com incidênciada doença 50% acima da média do estado.

Com aumento no númerode casos e mortes, o governo do Paraná suspendeu a desativação deleitos de UTI destinados a casos de Covid-19. A taxa média deocupação dos leitos de UTI na Região Metropolitana de Curitiba,que estava abaixo de 50% no início de outubro, voltou a subir para80%. Em Curitiba, o aumento de internações em UTI motivados peladoença levou a Prefeitura a suspender as cirurgias eletivas

Acácia Nasr,coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúdedo Paraná, afirmou que o aumento de casos é reflexo docomportamento das pessoas. Segundo ela, diminuiu a adesão ao uso demáscaras e ao distanciamento social e houve redução doteletrabalho, além da volta de reuniões familiares, Com ascampanhas políticas, explica a especialista, também houveaglomeração em alguns municípios paranaenses.

- As pessoas voltaram ater mais contato sem observar a recomendação de uso de máscaras,distanciamento e higienização das mãos - diz ela.

Segundo Acácia, a taxade positivo nos testes de infecção por coronavírus tem sido acimade 20% e a idade média dos contaminados é de 39 anos – entre 20 e59 anos, público que costuma ser assintomático ou ter sintomas maisleves. No entanto, a idade média dos mortos é de 68 anos.

- Os que se contaminamsão os que vão para a balada ou para o trabalho. Eles acabamlevando o vírus aos mais idosos e vulneráveis, com comorbidades -explica.

Para Casaca, os númerosdemonstram o começo de uma segunda onda na região sem que aprimeira tenha terminado.

- Se continuar assim édifícil reverter e pode ocorrer em breve um segundo pico - diz ele.

O Rio Grande do Sulconfirmou mais 43 mortes por Covid-19 nesta quarta-feira e a médiamóvel de mortes segue em alta no estado. O aumento é de 47% emrelação há duas semanas. A taxa de ocupação de leitos de UTI éde 74,4%, quase metade com pacientes de Covid-19 ou síndromesrespiratórias graves.

Em Santa Catarina, aSecretaria de Saúde identificou três regiões com alto risco detransmissão do vírus - Alto Uruguai, Laguna e Xanxerê - e outras13 com risco grave. Houve piora no quadro de contaminação porcoronavírus no estado. O número de casos ultrapassou 300 mil nestaterça-feira, com 5.100 registros em 24 horas.

Algumas prefeiturasadotaram medidas para tentar frear as contaminações. Joinvillereduziu de 50% para 30% a capacidade máxima de lotação de bares,restaurantes, supermercados, shoppings, hotéis e igrejas, porexemplo. A medida vale por sete dias. Blumenau reativou um serviçode atendimento exclusivo para casos suspeitos de coronavírus menosde dois meses depois de ter encerrado.

Florianópolis abriu umquinto quinto centro de testagem de coronavírus. A ideia éconseguir isolar pacientes com teste positivo e conter a disseminaçãoda doença.