Regime sírio permitirá saída de civis da província de Idlib

Os civis sírios fogem do bombardeio governamental de suas aldeias na região de Idlib, controlada pelos rebeldes, à medida que as tropas avançam em cidades-chave ao longo da estrada estratégica Damasco-Aleppo

O regime sírio anunciou nesta quinta-feira (22) a abertura de um corredor para permitir a saída de civis da província de Idlib, onde sua campanha militar provocou centenas de mortes e um êxodo em massa da população.

Apoiado pela aviação russa, o regime de Bashar al-Assad bombardeia praticamente sem trégua desde o fim abril a província de Idlib e zonas vizinhas, no noroeste do país, dominadas pelos extremistas do Hayat Tharir al-Sham (HTS, ex-braço sírio da Al-Qaeda) e que abrigam grupos rebeldes.

Quase 900 civis morreram nos bombardeios sobre Idlib e áreas próximas sob controle do HTS e dos insurgentes nas províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latákia, de acordo com um balanço da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O corredor anunciado está destinado aos habitantes de uma região composta por várias localidades, entre o sul de Idlib e o norte de Hama, cercada pelas forças pró-governo.

Durante o avanço que permitiu reconquistar várias cidades nos últimos anos, o governo sírio abriu corredores para permitir o deslocamento dos civis dos redutos rebeldes para regiões sob controle de Damasco, ou de seus adversários. Muitos moradores resistem, porém, a usar tais espaços pelo temor de detenções.

"A República Síria anuncia a abertura de um corredor humanitário na região de Suran, norte da província de Hama, para permitir a saída dos cidadãos que desejarem das regiões controladas pelos terroristas no norte de Hama e no sul de Idlib", anunciou o governo de Damasco, citado pela agência oficial de notícias Sana.

Na quarta-feira, o regime sírio reconquistou Khan Sheikhun, uma cidade do sul de Idlib abandonada por jihadistas e rebeldes diante do avanço das forças do governo.

No momento, é difícil saber se os civis usarão o corredor. A região já está praticamente vazia, segundo o OSDH.

Desde o fim de abril, mais de 400.000 pessoas foram obrigadas a abandonar a região em consequência da violência, informou a ONU.

Depois de Khan Sheikhun, o objetivo do regime parece ser a cidade de Maarat al-Numan, também no sul de Idlib.

Iniciada em 2011 após a repressão de manifestações pró-democracia, a guerra na Síria deixou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados.

Com o passar do tempo, o conflito se tornou mais complexo, com envolvimento de outros países.

Desde setembro de 2015, o governo Assad, com apoio da Rússia, do Irã e do grupo Hezbollah libanês, recuperou o controle de quase 60% do país.

Além dos territórios controlados por jihadistas e rebeldes na região de Idlib e arredores, o governo não administra áreas no leste do país, controladas pelas força curdas sírias apoiadas pelos Estados Unidos.