Regina Duarte: "Você não vai fazer um filme para agradar a minoria com dinheiro público"

Regina Duarte fala sobre sua experiência como secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Quase uma semana após assumir como secretaria Especial da Cultura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a atriz Regina Duarte afirmou que o dinheiro público deve ser direcionado e disse ter sido vítima de “uma facção".

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“O dinheiro público deve ser usado com algumas diretrizes. O governo governa para todos e todos estão livres para se expressarem contanto que busquem seus patrocínios na sociedade civil. Você não vai fazer um filme para agradar a minoria com o dinheiro público", afirmou ela em entrevista exclusiva ao “Fantástico".

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"Mas as minorias não têm espaço?”, questionou o jornalista Ernesto Paglia. “Todos têm, mas devem buscar seus patrocínios", rebateu ela, que pretende voltar aos palcos em breve.

"A Lei Rouanet precisa de alguns ajustes e estamos pensando nisso porque ela pode ser democrática, mais justa para todo fazedor de cultura, arte", completou a atriz.

Regina contou ainda que sua primeira semana como secretaria Especial da Cultura foi intensa. “Vivi momentos maravilhosos em que me senti muito viva, como há muito não me sentia. Mas ao mesmo tempo momentos angustiantes ao perceber que tinha que lidar com situações bastante complicadas, de política. Uma coisa que nem passava pela cabeça. Você percebe que têm pessoas ocupando cargos e usando para fazer ativismo, para se eleger nas próximas eleições. No meu caso e da equipe a gente quer fazer cultura."

Regina demitiu seis funcionários identificados como seguidores do ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Um nome polêmico, no entanto, permanece no cargo: Sérgio Camargo, à frente da Fundação Palmares, órgão responsável pela divulgação da cultura afro-brasileira - o jornalista declarou que a escravidão teria sido boa no Brasil. Questionada sobre isso, Regina disse que Sérgio é “ativista, mais que um gestor público”.

“Estou adiando esse problema porque essa é uma situação muito aquecida. Que baixe um pouco a temperatura. E logo, logo a gente vai ver. O que tem força vai ser", afirmou ela, que a quarta titular a ocupar o posto desde o começo do governo Jair Bolsonaro.

Apoio

Questionada sobre o apoio da classe artística, a secretaria especial criticou os não apoiadores do governo Bolsonaro. "A polarização que foi sendo estimulada a partir do #elenão é gravíssima, um tiro no pé da categoria. Por que a gente precisa passar por isso se a gente quer a mesma coisa, se expressar artisticamente?”, respondeu ela com uma pergunta.

Regina explicou ainda que o seu trabalho deve iniciar na próxima semana e criticou os haters.

"A gente vai começar a trabalhar na próxima semana, pois até aqui estivemos ocupados com enormes dificuldades de toda uma facção que quer ocupar esse lugar. Quer que eu me demita, que eu me perca. Já tenho #foraregina e eu nem comecei. A gente está tentando apagar alguns incêndios com exonerações e nomeações",

Sobre como pretende implantar projetos culturais sem verba, a atriz afirmou que se precisar “passa o chapéu”.

“Mas acredito que dá para fazer uma cultura, uma arte com os recursos possíveis. Por que não?. Não preciso de ministério para fazer uma gestão rica, colaborativa, construtiva. Esse é um problema que deixo para os problemas acima das minhas possibilidade decida", respondeu ela sobre a extinção do ministério da cultura no governo Bolsonaro.