Regina Duarte deixa Secretaria da Cultura e assumirá Cinemateca, em São Paulo

(Arquivo) A atriz Regina Duarte com o presidente, Jair Bolsonaro

A atriz de novela Regina Duarte anunciou nesta quarta-feira (20) estar deixando a Secretaria da Cultura, apenas dois meses depois de assumir o cargo e em meio a tensões com o presidente Jair Bolsonaro.

Duarte é a quarta pessoa no alto escalão a deixar o governo nas últimas semanas, após a renúncia do ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro, e de dois ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, em meio à pandemia do novo coronavírus.

O anúncio foi feito por Duarte e Bolsonaro nas redes sociais do presidente, após semanas de notícias da imprensa nacional que antecipavam a saída da atriz, atualmente com 73 anos, que encerrou um contrato de décadas com a TV Globo para assumir o cargo em março.

Em um vídeo filmado em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, Duarte disse que sente falta da família e foi por isso que aceitou o "convite" de Bolsonaro para dirigir a Cinemateca, em São Paulo, instituição subordinada à pasta.

No entanto, a imprensa local afirma que Duarte não atendeu às expectativas da chamada "ala ideológica" do governo, que está realizando uma cruzada contra ideias da esquerda em áreas como cultura, diplomacia e direitos humanos.

Em seu breve mandato, Duarte também não conseguiu conciliar o governo com a classe artística, que denuncia um vazio nas políticas direcionadas ao setor.

No vídeo, com um diálogo amigável, Duarte e Bolsonaro rejeitam as versões da imprensa. "Você está me fritando, presidente?", ironiza Duarte, em relação ao processo de exaustão ao qual antigos membros do governo foram submetidos antes de serem demitidos.

O presidente responde afirmando que a imprensa levanta toda semana especulações sobre possíveis demissões de ministros como forma de desestabilizar seu governo.

"Eu nunca vou te fritar", responde Bolsonaro sorrindo.

Regina Duarte, conhecida como a "namoradinha" do Brasil pelos papéis que desempenhou nas novelas das décadas de 70 e 80, é a quarta pessoa a ocupar e deixar o cargo de responsabilidade sobre o setor cultural no país desde que Bolsonaro chegou ao poder, no início do último ano.

O antecessor desse cargo, Roberto Alvim, foi demitido após apresentar o lançamento de um prêmio cultural com um discurso inspirado no estilo e nas ideias do chefe de propaganda nazista, Joseph Goebbels.

Após ser eleito, Bolsonaro transformou o Ministério da Cultura em uma Secretaria, um órgão de nível inferior.