Regina Duarte diz que 'facção' quer seu cargo no governo

O Globo
A cerimônia de posse, na Secretaria da Cultura, de Regina Duarte no Palácio do Planalto

RIO — Em sua primeira entrevista como secretaria Especial da Cultura, Regina Duarte disse que quer separar o ativismo da cultura em sua gestão e afirmou ter sido alvo de “uma facção” que quer ocupar seu lugar no governo. Falando ao “Fantástico”, da TV Globo, disse que a mesma facção pressiona por sua demissão. Ainda destacou que, em Brasília, vai ter de “lidar com situações bastante complicadas mesmo, de política, que é uma coisa que nem me passava pela cabeça”.

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— Eu só lamento ter perdido tanto tempo desfazendo intrigas que foram criadas, fake news, acusações não verdadeiras a respeito da proposta da equipe que tá comigo — afirmou ontem a secretária, que, sem identificar adversários, atribuiu a demora para assumir a uma oposição interna. — Estivemos ocupados com enormes dificuldades de toda uma facção que quer ocupar esse lugar. Quer que eu me demita, que eu me perca.

Ao tomar posse, Regina demitiu seis funcionários identificados como seguidores do ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Um nome polêmico, no entanto, permanece no cargo: Sérgio Camargo, à frente da Fundação Palmares, órgão responsável pela promoção da cultura afro-brasileira; o jornalista já declarou que a escravidão teria sido boa no Brasil. Questionada sobre isso, Regina disse que Sérgio é “ativista, mais que um gestor público”.

— Eu tô adiando esse problema porque essa é uma situação muito aquecida. (...) Que baixe um pouco a temperatura. E logo, logo a gente vai ver. O que tem força vai ser — afirmou.

A atriz assumiu a pasta, subordinada ao Ministério do Turismo, na quarta-feira passada. Foram 45 dias entre convite e posse, período que ela e o presidente Jair Bolsonaro definiram como “noivado” — “Eu, por patriotismo, aceitei a missão”, afirmou a atriz. Durante esse mês e meio, circularam rumores sobre possíveis demissões e indicações em sua equipe.

 — Você percebe que tem pessoas que estão ocupando cargos (...) para fazer ativismo, para se eleger nas próximas eleições. No nosso caso, meu e da equipe, o que a gente quer é fazer cultura.

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Sem citar projetos específicos, Regina disse ter “muitas pautas positivas” e repetiu, como na posse, que vai “passar o chapéu” atrás de recursos.

Ecoando declarações do próprio Bolsonaro, Regina afirmou:

— O dinheiro público deve ser usado de acordo com algumas diretrizes importantes porque é o que a população que elegeu esse governo espera dele. (...) Você não vai fazer filme para agradar a minoria com dinheiro público (...), que busquem seus patrocínios na sociedade civil.

Além, disso, a secretária dispensou o status de ministra:

— Eu não preciso de ministério para fazer uma gestão rica, colaborativa, construtiva.