Rei Charles 3º lidera cortejo com corpo de Elizabeth 2ª na Escócia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia depois de lotar a principal via de Edimburgo para receber o corpo da rainha Elizabeth 2ª, os escoceses voltaram à Royal Mile. Desta vez, no entanto, para dar adeus —de lá, os restos mortais da soberana serão transportados para Londres, onde permanecerão até o seu funeral, no início da semana que vem.

A despedida teve início pela manhã, quando o caixão foi levado da residência real, o Palácio de Holyroodhouse, até a Catedral de Saint Giles em uma procissão guiada pelo rei Charles 3º. Foi a primeira cerimônia fúnebre de que o novo monarca participou.

Os irmãos dele, a princesa Anne e os príncipes Andrew e Edward também estavam presentes. Todos estavam de uniforme —menos Andrew, que renunciou a seus títulos militares ao ser acusado de abusar de uma menor envolvida no esquema de tráfico sexual de Jeffrey Epstein. O nobre chegou a um acordo extrajudicial com a suposta vítima no início do ano.

Um homem de 22 anos que assistia à procissão xingou Andrew quando o cortejo passou à sua frente. Ele foi agredido pela multidão e, em seguida, preso pela polícia por causar tumulto. Outras duas pessoas foram detidas em circunstâncias semelhantes.

Foi uma de poucas exceções em um evento solene no geral. Ao longo da Royal Mile, via histórica da capital escocesa por onde passou o desfile, ouviam-se gritos de "Deus salve o rei" —a versão personalizada para Charles da frase que dá título ao hino nacional britânico e que se tornou uma espécie de slogan da monarquia. Parte do público ainda levou escadas e pegou emprestadas caixas de lojas próximas para tentar enxergar melhor o cortejo, segundo relato do jornal britânico The Guardian.

Assim como em sua chegada a Edimburgo, o caixão estava coberto de flores e envolvido pelo estandarte real, de quadro quadrantes, em sua versão escocesa. O ataúde feito de carvalho inglês e forrado com chumbo foi fabricado há mais de três décadas, segundo contou a empresa que o produziu, Leverton and Sons, ao jornal The Times. Um serviço religioso foi realizado na presença da família real e de convidados após a entrada do corpo na catedral.

Em seguida, a igreja foi aberta ao público, que aguardava para prestar homenagens em uma fila que dobrava o quarteirão. A segurança da catedral foi comparada a de um aeroporto pela imprensa local —os visitantes eram proibidos de entrar com comidas, bebidas ou bolsas grandes. Fotografar a rainha também foi vetado.

O caixão continuará na Catedral de Saint Giles por 24 horas, até ser transportado de avião para Londres no dia seguinte, escoltado pela princesa Anne. Ele permanece na capital inglesa até a data do funeral, marcado para a próxima segunda-feira (19). Segundo a imprensa britânica, o público já começou a fazer fila para ver o corpo, mesmo que ainda faltem dois dias para que as primeiras visitas sejam autorizadas.

A agenda de Charles em Edimburgo ainda incluiu um encontro com a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que esteve presente no serviço religioso, e uma visita ao Parlamento escocês, que fez dois minutos de silêncio em honra à soberana —pela manhã, o rei discursara pela primeira vez ao Parlamento britânico em Londres.

Charles chegou ao Parlamento vestido com o tradicional quilt xadrez e acompanhado da rainha consorte, Camilla. Em seu discurso, destacou a ligação histórica entre a família real e a Escócia, e lembrou a afeição de Elizabeth pelo país —o Castelo de Balmoral, onde ela morreu, era uma de suas residências favoritas.

"Ao longo de seu reinado, a rainha, como tantas outra gerações de nossa família antes dela, descobriu nos morros dessa terra, e nos corações desse povo, um refúgio e um lar. Minha mãe sentia, como eu, a maior admiração pelo povo escocês. Era um grande conforto para ela saber, por sua vez, que o afeto que recebia era verdadeiro."

Ao final do dia, ele e outros membros da família real voltam à catedral para velar a rainha. O corpo de Elizabeth chegou a Escócia no final da tarde de domingo (11). O caixão de carvalho seguiu no primeiro carro de uma caravana de sete veículos e, passou por cidades como Aberdeen, Dundee e Perth, além de dezenas de vilarejos.

No trajeto, fez pequenas paradas, para que mais pessoas pudessem se despedir da soberana, com o silêncio absoluto entremeado pelo som do choro de alguns e dos celulares de muitos fazendo fotos.