Rei da Espanha apela aos 'princípios morais' frente aos escândalos de seu padre

Álvaro VILLALOBOS
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O Rei Felipe VI da Espanha em seu discurso, em 22 de dezembro de 2020, em Madri

O rei da Espanha, Felipe VI, apelou nesta quinta-feira (24) a "princípios morais e éticos" diante dos escândalos de seu pai Juan Carlos, que responde a três investigações judiciais sobre sua fortuna, atualmente exilado em Abu Dhabi.

Em meio a grandes expectativas sobre sua tradicional mensagem natalina, em um ano difícil para a imagem da monarquia espanhola, Felipe de Borbón optou por referir-se com indiferença aos problemas de seu pai e chefe do Estado espanhol de 1975 a 2014, aos quais sequer nomeou.

"Já em 2014, na minha proclamação perante as Cortes Gerais, referi-me aos princípios morais e éticos que os cidadãos exigem da nossa conduta. Princípios que nos obrigam a todos, sem excepções, e que estão acima de qualquer consideração da natureza seja o que for, mesmo da pessoal ou familiar", afirmou o monarca.

"É assim que sempre o entendi, em coerência com as minhas convicções, com a forma como entendo as minhas responsabilidades como chefe de Estado e com o espírito renovador que inspira o meu reinado desde o primeiro dia", prosseguiu.

Em março, e diante do aumento de indícios de que don Juan Carlos escondia uma opaca fortuna no exterior, o atual rei renunciou à herança econômica do seu pai e retirou seu subsídio anual, estimado em mais de 194 mil euros.

O discurso desta quinta-feira foi provavelmente o mais delicado para Felipe desde que ele ascendeu ao trono.

E é que além da crise social e econômica desencadeada pela pandemia - "2020 tem sido um ano muito duro e difícil", destacou em seu discurso - os problemas judiciais de don Juan Carlos alimentaram o discurso da esquerda radical do Podemos, parceiro de governo dos socialistas.

"Suspeito que este ano muitos compatriotas", após o discurso da véspera de Natal, "vão se perguntar se são monarquistas ou republicanos, e acho que esse debate vai acontecer em muitas casas", disse o líder do Podemos e vice-presidente do governo, Pablo Iglesias.

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