'Rei dos cassinos' é preso em SP sob suspeita de ajudar quadrilha de falsos videntes

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta segunda-feira (24) o empresário Reginaldo Moraes de Campos, conhecido como “rei dos cassinos” —ele é apontado por policiais como o principal sócio de uma série de casas clandestinas de jogos de azar na capital e na região metropolitana. .

A prisão desta vez, porém, foi decretada por outro tipo de crime. Campos foi preso sob a suspeita de ajudar na lavagem de dinheiro de uma quadrilha de falsos videntes que, segundo a polícia, extorquiam vítimas de adivinhações e trabalhos de magia fraudulentos.

Quando o pagamento dos trabalhos não era feito pelas vítimas como o grupo esperava, eles partiam para o uso de violência para receber o dinheiro, conforme investigações de equipes da polícia. As investigações apontam a existência de clientes da quadrilha em praticamente todos os estados brasileiros.

A prisão em flagrante do empresário ocorreu dentro de uma operação do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) batizada de Tarot, quando eram cumpridos mandados judiciais de busca e apreensão em endereços ligados à família de Nicolitch, a organização familiar responsável pelas adivinhações, e também de Campos.

Como o material encontrado na operação reforçava a existência de uma organização criminosa, os delegados decretaram a prisão em flagrante de todas os cinco investigados. Os suspeitos, porém, foram liberados já na manhã seguinte, após audiência de custódia.

A expectativa era a de que, com a prisão, mais vítimas pudessem buscar as equipes do Deic para reclamar das extorsões. Até agora, os policiais ouviram três pessoas que foram supostamente enganadas pelo grupo.

Uma delas contou aos policiais que teve de entregar cerca de R$ 240 mil aos integrantes do grupo, que chegaram a usar armas de fogo para intimidar quem se recusava a pagar.

Aos policiais, os suspeitos negaram irregularidades. Eles disseram que os trabalhos espirituais eram gratuitos e que ganhavam a vida com o comércio de veículos.

A polícia detectou uma movimentação de R$ 3 milhões nas contas dos envolvidos, apesar de nenhum deles ter uma atividade profissional, de acordo com os policiais.

Foi na análise das movimentações financeiras que os investigadores detectaram o suposto envolvimento do Campos, o rei dos cassinos.

Segundo a polícia, nessa operação foram apreendidos veículos de luxo, como Audi, BMW e Land Rover Discovery, além de joias e relógios de luxo. “O material documental passará por análise e deverá fornecer mais detalhes sobre a estrutura operacional da família Nicolich e do rei dos cassinos”, diz nota da Polícia Civil.

Campos também é investigado pela polícia por suposta organização criminosa e lavagem de dinheiro com a exploração das casas de jogos de azar. Nesse inquérito, os investigadores apuram ainda a suposta compra de proteção de policiais de São Paulo para os cassinos.

O empresário entrou no radar da polícia em março deste ano após uma operação da força-tarefa de combate à Covid-19 que flagrou centenas de pessoas aglomeradas em um cassino de luxo na zona sul da capital paulista, entre eles o atacante Gabigol, atleta do Flamengo, e o funkeiro Mc Gui.

Na ocasião, conforme policiais ouvidos pela reportagem, funcionários da casa tentaram barrar o fechamento do local usando nomes de policiais e, também, de políticos de São Paulo.

Depois disso, as casas de jogos do empresário passaram a ser investigadas e, numa delas, Campos chegou a ser detido em uma operação em abril, na zona oeste da capital. Os policiais que participaram da ação, porém, tentaram excluí-lo do caso, segundo apontou uma investigação posterior.

O nome dele foi retirado do primeiro boletim de ocorrência feito pelas equipes que atenderam a ocorrência e só foi colocado em um documento complementar, minutos depois de a Folha revelar sua detenção. A crise levou à queda do chefe da polícia da região.

Nessa operação de abril, ele não ficou detido porque os dois crimes investigados —a exploração de jogos de azar e o crime contra a saúde pública, pela aglomeração das pessoas nos cassinos— não permitem prisão em flagrante.

A Folha tentou contato com a defesa de Campos, mas não recebeu resposta.

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