Rei saudita nomeia filho como novo ministro da Energia

Por Anuj CHOPRA
(Julho) O ex-ministro saudita da Energia, Khalid al-Falih (d), e seu sucessor, príncipe Abdulaziz Bin Salman, participam de reunião da Opep em Viena

O rei Salman, da Arábia Saudita, nomeou o filho Abdulaziz como novo ministro da Energia, uma mudança importante no reino petroleiro, afetado pela queda dos preços internacionais do petróleo cru.

A nomeação de Abdulaziz Bin Salman, meio-irmão do príncipe herdeiro do trono saudita, Mohamed Bin Salman, acontece no momento em que a gigante estatal do petróleo Aramco prepara um lançamento de ações entre 2020 e 2021.

"Khalid Al-Falih foi dispensado de suas funções. Sua alteza, o príncipe Abdulaziz Bin Salman, foi nomado ministro da Energia", anunciou a agência oficial de notícias saudita na madrugada deste domingo, horário local.

A demissão de Falih ocorre dias depois de ele ter sido retirado do cargo de presidente da estatal Aramco, no momento em que a empresa prepara uma oferta pública inicial (IPO). Ele foi substituído por Yasir al-Rumayan, governador do enorme Fundo Público de Investimentos saudita, que supervisiona um grande plano de diversificação da economia saudita, altamente dependente do petróleo.

Há um mês, Falih havia sofrido outro duro golpe, com o anúncio oficial da criação do Ministério da Indústria e Mineração, separado do Ministério da Energia.

Ali Shihabi, fundador do grupo de análises pró-saudita Arabia Foundation, assinala que Abdulaziz Bin Salman "trabalha no Ministério do Petróleo há décadas". Além disso, "participou de quase todas as reuniões da Opep nesse período e possui uma grande experiência institucional", aponta.

Com o afastamento de Falih da Aramco, especialistas do mercado petroleiro interpretaram sinais de descontentamento da realeza saudita com os preços do cru, uma vez que este nível baixo afeta diretamente os planos da estatal para o lançamento de ações.

A Aramco pretende lançar no mercado acionário cerca de 5% da empresa, um passo com o qual deve captar 100 bilhões de dólares, já que a firma está avaliada em 2 trilhões de dólares. A queda recente dos preços internacionais do petróleo, no entanto, levou analistas a questionar se o valor da Aramco alcançaria esta magnitude.

O lançamento de ações da Aramco estava previsto para 2018, mas a operação foi adiada devido a condições desfavoráveis do mercado.