Reinfecção pode aumentar o risco de Covid longa?

Casos de reinfecção pelo novo coronavírus estão cada vez mais comuns. Com isso, surge a preocupação sobre a possibilidade de Covid longa. Um novo diagnóstico de Covid-19 aumenta o risco de sintomas de longo prazo? A ciência ainda não tem resposta para essa pergunta, mas especialistas acreditam que não. Pelo contrário.

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— Provavelmente [o risco de Covid longa] é até menor [após uma reinfecção] porque já há uma resposta imune prévia. Normalmente, os quadros são mais leves. Além disso, a Ômicron causa menos Covid longa do que a Delta — diz o infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O médico geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, concorda com essa opinião. Ele explica que a hipótese mais aceita atualmente para explicar os sintomas duradouros da doença é a persistência da proteína spike em reservatórios no organismo.

— Ainda não se sabe, mas é improvável que múltiplas infecções aumentem o risco de Covid longa. A principal hipótese é que o problema esteja associado à persistência de uma primeira infecção e não a várias infecções — diz Raskin.

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Um dos fatores de risco para Covid longa é uma alta carga viral no início da infecção, o que é mais comum na primeira infecção. Casos subsequentes tendem a ter uma carga viral mais baixa, já que o corpo está melhor preparado para combater o vírus.

A gravidade da doença é outro fator que impacta o risco de Covid longa. Embora até mesmo pessoas assintomáticas possam apresentar sintomas de longo prazo, em geral, a probabilidade é maior em quadros mais graves. Um estudo publicado recentemente na revista The Lancet mostrou que o risco de Covid longa pela Ômicron é duas vezes menor do que pela Delta. A conclusão faz sentido, visto que a Ômicron e suas subvariantes tendem a causar sintomas mais leves que suas antecessoras.

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Apesar disso, é importante ressaltar que não é possível descartar a possibilidade de desenvolver Covid longa após uma reinfecção.

Mais de dois anos após o início da pandemia de Covid-19, a ciência ainda busca desvendar os mistérios da Covid longa. Estudos estimam que 10 a 30% das pessoas com diagnóstico positivo para infecção pelo novo coronavírus relatam problemas persistentes ou novos meses após o fim da doença.

Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecida estão o espectro de sintomas, bem como sua gravidade e duração. Um estudo publicado na revista The Lancet, no ano passado, compilou 203 sintomas que podem permanecer ou até mesmo aparecer após a recuperação da infecção. Eles variam desde fadiga, tosse e dor de cabeça até falta de ar, frequência cardíaca irregular; problemas de memória e concentração e trombose.

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Também não há consenso sobre a definição do problema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e muitos especialistas consideram Covid longa como sintomas que permanecem três meses após o início dos sintomas ou resultado positivo do teste. Já para os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os sintomas precisam durar apenas um mês para serem classificados como Covid longa.

Tampouco está claro o que causa esses sintomas persistentes ou tardios. As principais hipóteses apontam tanto para uma consequência da resposta imunológica gerada pelo corpo para combater a infecção quanto para resquícios de vírus que ainda permanecem no organismo.

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— Cada dia está mais claro que algumas pessoas, por motivos que ainda não sabemos, mantém a proteína spike (usada pelo coronavírus para invadir as células) em reservatórios no organismo, principalmente no intestino. Acredita-se que isso contribua para esses sintomas duradouros — explica Raskin.

A incerteza sobre as causas dificulta um tratamento preciso. Atualmente, os sintomas da Covid são gerenciados com tratamentos disponíveis para cada queixa, de forma individual. Isso pode incluir medicamentos, fisioterapia, psicoterapia, entre outros. Outras estratégias, incluindo antivirais e antiinflamatórios estão em avaliação. Alguns estudos sugerem que a vacinação contra a Covid-19 não impede, mas reduz consideravelmente o risco de Covid longa.

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