Reino Unido administrará 3ª dose da vacina anticovid para evitar mais restrições

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O ministro da Saúde do Reino Unido, Sajid Javid (AFP/-)

O governo britânico anunciou nesta terça-feira (14) que a partir da próxima semana começará a administrar uma dose de reforço da vacina contra a covid-19 nas pessoas com mais de 50 anos e nos profissionais de saúde, em previsão de um inverno potencialmente complicado, mas para evitar novos confinamentos.

"A doença continua apresentando riscos, mas tenho confiança nas vacinas", disse o primeiro-ministro Boris Johnson ao anunciar seus planos para os próximos meses.

O Reino Unido começou a vacinar em massa em dezembro e 8,1% de sua população maior de 16 anos já recebeu o esquema completo de imunização.

"O resultado desta campanha de vacinação é que temos uma das sociedades mais livres e uma das economias mais abertas da Europa", afirmou Johnson, que em julho levantou quase todas as restrições, incluindo o uso de máscaras e as capacidades limitadas.

Porém, "o outono e o inverno apresentam condições favoráveis para a covid-19 e outros vírus sazonais", advertiu o ministro da Saúde, Sajid Javid, na Câmara dos Comuns.

"As crianças voltam às escolas, mais pessoas retornam ao trabalho, a mudança da meteorologia significa que podemos ter mais pessoas que ficam mais tempo em locais fechados", disse, antes de mencionar a possível pressão nos hospitais de outros vírus sazonais como a gripe.

Por esse motivo, o governo decidiu intensificar sua já extensa campanha de vacinação.

A partir da próxima semana, esta se ampliará para os jovens de 12 a 15 anos, com uma única dose da Pfizer/BioNTech, e começará a ser administrada na Inglaterra uma vacina de reforço nos profissionais da saúde, em todos os maiores de 50 anos e nas pessoas de 16 a 49 anos com comorbidades.

Esta injeção terá um período de ao menos seis meses da segunda dose e os assessores científicos do governo aconselharam a ir por faixas etárias decrescentes, como foi feito na primeira fase da vacinação.

Se a medida também for aprovada pelas autoridades de saúde da Escócia, Gales e Irlanda do Norte, poderá beneficiar 30 milhões dos 66 milhões de habitantes do Reino Unido.

- Inverno potencialmente complicado -

Considerando que a campanha de vacinação foi um "sucesso incrível" que evitou 24 milhões de casos de covid-19 e 112.000 mortes, o vice-diretor médico da Inglaterra, Jonathan Van-Tam, alertou que o inverno pode ser complicado quando epidemias sazonais se juntarem ao coronavírus, como a gripe, pouco reproduzidas no ano passado devido aos confinamentos.

O país contava em 10 de setembro 8.256 pessoas hospitalizadas por covid-19, longe dos quase 40.000 no pico da última onda em janeiro, mas que está aumentando à medida que o número de casos cresce, com uma média de 140 mortes por dia.

"As pessoas precisam continuar levando essa doença muito à sério", afirmou Chris Whitty, conselheiro médico máximo do Reino Unido, pedindo a todos que puderem tomar a vacina de reforço para assim fazê-lo.

Os especialistas do Comitê Conjunto sobre Vacinação e Imunização (JCVI) recomendaram o uso principalmente de uma dose completa da vacina de Pfizer/BioNtech ou, quando não for possível, meia dose do fármaco da Moderna.

As pessoas que por motivos médicos não podem receber estas vacinas desenvolvidas com a tecnologia de RNA mensageiro serão autorizadas a receber uma dose da mais convencional AstraZeneca/Oxford.

O programa de reforço pretende evitar o retorno dos fechamentos e confinamentos como os três decretados desde março de 2020 em um país onde morreram mais de 134.000 pessoas por covid-19 e que atualmente registra cerca de 35.000 novos casos diários, impulsionados pela muito contagiosa variante delta, que é dominante no país.

O governo decidiu até o momento não impor os passaportes sanitários.

Mas "não é sensato descartar por completo este tipo de opção agora quando devemos enfrentar o fato de que ainda poderia fazer a diferença entre manter as empresas abertas a pleno rendimento ou não", disse o primeiro-ministro, contemplando um "plano B" caso a pandemia se agrave, que poderia reintroduzir medidas como a obrigação do uso de máscaras e a recomendação para o home office.

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