Reino Unido celebra os 70 anos do reinado de Elizabeth 2ª durante 4 dias

***ARQUIVO***LONDRES, INGLATERRA, 28.07.2012 - A rainha Elizabeth 2º visita o Centro Aquático no Parque Olímpico de Londres, na Inglaterra. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
***ARQUIVO***LONDRES, INGLATERRA, 28.07.2012 - A rainha Elizabeth 2º visita o Centro Aquático no Parque Olímpico de Londres, na Inglaterra. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Ao longo dos próximos quatro dias, mais de 200 mil eventos pulverizados por todo o Reino Unido celebram os 70 anos de reinado da monarca mais longeva do país, Elizabeth 2ª. De quinta-feira (2) a domingo (5), espera-se que a crise política e a do custo de vida sejam amortecidas temporariamente pelas celebrações em torno da rainha.

Elizabeth subiu ao trono em fevereiro de 1952, quando estava em viagem oficial ao Quênia, após a morte de seu pai, o rei George 5º. Foi somente em 2 de junho de 1953, porém, que a jovem de 25 anos foi coroada, em uma cerimônia televisionada na Abadia de Westminster --é a esta data que o feriado britânico dos próximos dias se refere.

Além dos desafios nacionais que o evento projeta apaziguar, há crises internas da própria família real. Estas, aliás, estarão expressas na sacada do Palácio de Buckingham, em Londres: no tradicional local de aparição da monarquia, estarão apenas a rainha e aqueles que têm funções públicas da realeza. Ficam de fora, portanto, o príncipe Andrew, o príncipe Harry e sua esposa Meghan, duquesa de Sussex.

Andrew, filho da rainha, envolveu-se em um escândalo de abuso sexual. Em fevereiro, ele assinou um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, mulher que o acusa de ter mantido relações sexuais com ela quando era menor de idade. Antes disso, porém, no final de 2019, ele já havia anunciado o afastamento da vida pública.

Já o príncipe Harry, neto da monarca, e Meghan Markle se retiraram de seus papéis reais em 2021 e se mudaram para os Estados Unidos. Meghan chegou a fazer acusações de racismo a membros da realeza durante entrevista à apresentadora Oprah Winfrey --Elizabeth 2ª disse que as denúncias seriam "levadas muito a sério".

As celebrações do Jubileu de Platina da monarca de 96 anos incluem eventos oficiais, como desfiles militares, atos religiosos e festas com famosos, mas também milhares de celebrações de rua, como piqueniques, idealizadas, muitas vezes, pelos próprios moradores.

O carteiro Luke Francis, por exemplo, está organizando um cream tea, tradicional café da tarde britânico, em Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. Esta é a segunda vez que ele organiza ação do tipo: há dez anos, fez outro chá, à época para celebrar o Jubileu de Diamante de Elizabeth 2ª --60 anos da monarca no trono.

"Acho que isso nunca mais acontecerá, ela está firme há 70 anos", disse ele à BBC. "É um marco que precisa ser comemorado por todos nós."

O peso da monarquia na política do Reino Unido mudou, e o apoio tem caído entre os mais jovens, mas o grosso da população britânica é favorável à rainha. Pesquisa do jornal The Sun divulgada esta semana mostra que ela tem 91,7% de opiniões favoráveis, contra 67,5% para o príncipe Charles, o primeiro na linha de sucessão do trono.

Desde que assumiu o trono, a rainha acompanhou 14 primeiros-ministros do Reino Unido. O primeiro foi Winston Churchill, que capitaneou o país durante a Segunda Guerra Mundial e, até hoje, é uma das figuras mais conhecidas da história britânica.

Agora, Elizabeth acompanha a gestão de Boris Johnson, premiê envolto em uma crise política após participar de várias festas em Downing Street, a sede do governo, durante a pandemia de Covid. Desgastado politicamente, ele viu seu partido, o Conservador, perder força nas últimas eleições regionais e perdeu o apoio de correligionários.

O Reino Unido assistiu à morte de mais de 178 mil cidadãos em decorrência da Covid desde o início da pandemia. A rainha chegou a ser infectada pelo vírus, em fevereiro. Informações oficiais diziam que ela teve apenas sintomas leves da doença.

A saúde de Elizabeth 2ª, aliás, estará no centro das atenções. Em outubro passado, a monarca teve de permanecer em repouso e chegou a ser hospitalizada para realizar exames médicos. Desde então, ela enfrentou problemas de mobilidade e escasseou as aparições públicas.

Em meados de maio, por exemplo, foi substituída pelo príncipe Charles na cerimônia de abertura da sessão parlamentar, com a leitura do programa legislativo elaborado pelo governo para os próximos 12 meses. Aquela foi a primeira vez em 59 anos que Elizabeth não compareceu. Depois, porém, em prováveis imagens divulgadas para afastar rumores, foi a um evento hípico --a rainha ama cavalos-- e a um evento com Tom Cruise.

*

VEJA A PROGRAMAÇÃO DAS CELEBRAÇÕES DO JUBILEU DE PLATINA DA RAINHA

QUINTA-FEIRA, 2 DE JUNHO

Trooping the Colour (ou desfile do estandarte): Cerca de 1.500 militares, 400 músicos e 250 cavalos desfilarão pelo centro de Londres, entre o Palácio de Buckingham e a praça da Horse Guards Parade. O evento marca anualmente o aniversário da rainha.

SEXTA-FEIRA, 3 DE JUNHO

Evento religioso: Uma missa de ação de graças ocorre na catedral de St. Paul, importante monumento de Londres. O grande sino do local —o maior do país, com 16,5 toneladas— será tocado.

SÁBADO, 4 DE JULHO

Festa: Quase 22 mil pessoas —incluindo 5.000 trabalhadores de setores essenciais durante a pandemia— estão convidados para um grande show diante do Palácio de Buckingham, a ser transmitido pela BBC.

DOMINGO, 5 DE JULHO

O grande almoço: Mais de 60 mil pessoas, segundo informações da família real, se inscreveram para participar de grandes almoços, com eventos que vão desde tentativas de recorde mundial para a festa de rua mais longa até churrascos no jardim.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos