Afetado por nova cepa, Reino Unido começa a aplicar a vacina AstraZeneca/Oxford

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O aposentado Brian Pinker, de 82 anos, recebe a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca no Hospital Churchill de Oxford

O Reino Unido se tornou nesta segunda-feira o primeiro país a utilizar a vacina britânica AstraZeneca/Oxford contra a covid-19, com a esperança de superar uma pandemia fora de controle que forçou o fechamento de várias escolas.

Com mais de 75.000 mortes, o Reino Unido é um dos países da Europa mais afetados pela covid-19. Quase 55.000 pessoas testaram positivo para a doença nas últimas 24 horas, superando a marca de 50.000 pelo sexto dia consecutivo, de acordo com os dados oficiais publicados no domingo.

Neste contexto, "as vacinas nos dão uma saída a médio prazo", tuitou o principal conselheiro médico do governo britânico, Chris Whitty.

O país, que já inoculou quase um milhão de pessoas com a vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech - da qual também foi o primeiro país a aprovar -, enfrenta uma nova onda de contágios desde a descoberta em dezembro de uma nova cepa do coronavírus, entre 40% e 70% mais transmissível que as anteriores.

"Segundo uma análise recente (...), parece que a nova variante já representa quase metade de todos os novos casos na Escócia", afirmou sua primeira-ministra Nicola Sturgeon, ao anunciar a decisão de "introduzir a partir de meia-noite, durante todo o mês de janeiro, um requisito legal de permanecer em casa, exceto para finalidades essenciais (...), semelhante ao confinamento de março passado".

Na vizinha Inglaterra, quase 80% da população está novamente em confinamento e o retorno às aulas após o recesso de fim de ano foi adiado em muitas regiões, em particular em Londres e no sudeste do país, especialmente afetados pelo aumento de infecções.

Os alunos do ensino fundamental e médio não voltarão às salas de aula por uma ou duas semanas, dependendo da situação das cidades. A oposição trabalhista, no entanto, pressiona o governo do primeiro-ministro conservador Boris Johnson a impor o fechamento de escolas a nível nacional.

E Johnson, que até agora insistiu em manter seu sistema de restrições locais, acabou reconhecendo nesta segunda-feira que semanas "difíceis" se aproximam e que terá que tomar "medidas mais duras", durante uma visita a um hospital onde se lançava a nova vacina.

Seu porta-voz anunciou que o primeiro-ministro fará um discurso ao país pela televisão hoje à noite, o que gerou temores de um terceiro confinamento total.

- Acelerar a vacinação -

Neste contexto, a distribuição da vacina AstraZeneca/Oxford, uma "conquista fantástica" da ciência britânica, segundo Johnson, mais barata e fácil de conservar que o produto da Pfizer, e da qual o país encomendou 100 milhões de doses, é apontada como o único motivo de esperança.

Brian Pinker, um aposentado britânico de 82 anos que precisa de diálise por um problema nos rins, recebeu no Hospital Churchill da Universidade de Oxford a vacina "nacional", informou o Serviço Nacional de Saúde (NHS), que já dispõe de 520.000 doses preparadas para distribuição.

Com o rosto protegido por uma máscara, Pinker, um ex-funcionário do setor de manutenção da cidade, arregaçou a manga da camisa diante das câmeras de televisão para que a enfermeira chefe do Hospital Churchill de Oxford aplicasse a injeção.

"Estou muito feliz de receber esta vacina de covid hoje e muito orgulhoso que tenha sido desenvolvida em Oxford", afirmou.

"Esta vacina significa tudo para mim, na minha cabeça é a única maneira de recuperar um pouco de vida normal", completou.

Para a enfermeira Sam Foster "foi um verdadeiro privilégio ter administrado a primeira vacina Oxford/AstraZeneca aqui no Hospital Churchill, a poucas centenas de metros de onde foi desenvolvida".

- Espaçar as doses -

Brian "foi genial. Estava ansioso para receber. Não hesitou e disse que não sentiu nada após a injeção. É um grande paciente e um grande defensor desta vacina", completou Foster.

De acordo com os cientistas britânicos, a vacina oferece proteção a partir de 22 dias depois da primeira dose e durante pelo menos três meses.

Por este motivo, e para alcançar o maior nível possível da população, as autoridades de saúde inglesas decidiram espaçar consideravelmente, a até 12 semanas contra as três inicialmente previstas, a administração das duas doses necessárias.

O ministro da Saúde, Matt Hancock, afirmou "esperar que superaremos este momento difícil nas próximas semanas e meses".

"As chances de que conseguiremos se aceleraram significativamente hoje porque fomos capazes de ser o primeiro país do mundo a injetar esta nova vacina da AstraZeneca", disse à rádio BBC.

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