Novo confinamento no Reino Unido enquanto UE enfrenta críticas por vacinação lenta

Anna MALPAS com as redações da AFP no mundo
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Trevor Cowlett, 88 anos, recebe a vacina Oxford/AstraZeneca contra a covid-19 no Hospital Churchill, em Oxford

A Inglaterra e a Escócia anunciaram um novo confinamento total nesta segunda-feira (4) diante de uma nova onda de infecções pelo coronavírus, enquanto a União Europeia enfrenta críticas pela lentidão em seu processo de aprovação da vacina.

O anúncio ocorre no mesmo dia em que o Reino Unido inicia uma campanha com 530.000 doses da vacina AstraZeneca em sua luta para controlar a alta de contágios que ameaça provocar o colapso do sistema de saúde pública.

"Temos que fazer mais, juntos, para pôr esta nova variante sob controle, enquanto distribuímos nossas vacinas", disse Johnson em uma mensagem breve e solene à nação, transmitida no horário de maior audiência da noite.

Muitos especialistas consideram que a vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford será um marco nas campanhas de imunização porque não exige temperaturas tão frias para o armazenamento como os fármacos da Pfizer-BioNTech e da Moderna.

Isto pode representar um acesso maior à vacina contra a covid-19 nas regiões mais pobres do mundo, uma doença que já infectou quase 85 milhões de pessoas e provocou mais de 1,8 milhão de mortes, segundo os números oficiais.

Brian Pinker, um britânico aposentado de 82 anos, recebeu no Hospital Churchill da Universidade de Oxford a primeira das duas doses da vacina, informou o Serviço Nacional de Saúde (NHS).

"Estou muito feliz de receber esta vacina e muito orgulhoso que tenha sido desenvolvida em Oxford", afirmou, antes de destacar que foi "fácil".

No resto da Europa, os países da União Europeia começaram a imunizar a população em 27 de dezembro com a vacina da Pfizer-BioNTech, mas o avanço tem sido muito mais lento que nos Estados Unidos, Reino Unido e Israel.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou nesta segunda que não não se pronunciará sobre a autorização da vacina da Moderna, enquanto a da AstraZeneca também aguarda aprovação.

As críticas foram particularmente intensas na França, onde em 1º de janeiro apenas 516 pessoas haviam recebido a primeira dose, em comparação com mais de 200.000 na Alemanha e mais de 85.000 na Itália, no mesmo período, além de cerca de um milhão no Reino Unido.

"Hoje estamos diante de um escândalo de Estado", declarou Jean Rottner, membro do partido de oposição de direita Os Republicanos (LR), que exigiu que a vacinação fosse "acelerada" no país.

- Filas para vacinação na China -

Na China, milhares de pessoas formaram filas em Pequim para receber a vacina. As autoridades querem acelerar a campanha antes das viagens de fevereiro, por ocasião do Ano Novo lunar.

Somente na capital, mais de 73.000 pessoas receberam a primeira dose entre sexta-feira e domingo, informou a imprensa local.

Pequim administrou nos últimos meses 4,5 milhões de doses de vacinas em caráter de emergência, em grande parte não aprovadas oficialmente, a maioria em profissionais da saúde e funcionários estatais que trabalham no exterior, segundo as autoridades.

Nos Estados Unidos, as autoridades de saúde rejeitaram as afirmações do presidente Donald Trump de que o número de mais de 350.000 mortos no país, o mais afetado do planeta, é exagerado.

A nação registra mais de 20 milhões de casos e a administração Trump, criticada por sua gestão da pandemia, começou a distribuir as vacinas da Pfizer e do laboratório Moderna.

Mas o número de 4,2 milhões de pessoas vacinas até o momento está muito abaixo das previsões oficiais, que apontavam 20 milhões até o Ano Novo.

Mais de 13 milhões de doses de vacinas foram distribuídas no país, mas os esforços para imunizar profissionais de saúde e pessoas vulneráveis esbarraram em problemas logísticos e clínicas e hospitais sobrecarregados.

"Houve algumas falhas, isso é compreensível", afirmou o principal assessor científico do governo, Anthony Fauci, alegando que é um desafio "começar um programa de vacinação em massa e iniciá-lo com o pé direito".

- Vacinas de emergência na Índia -

A Índia, que tem o segundo maior número de casos registrado no mundo de coronavírus, aprovou no domingo o uso emergencial de duas vacinas, o que abre o caminho para uma das campanhas de vacinação mais importantes do planeta.

O país do sul da Ásia estabeleceu a meta ambiciosa de vacinar 300 milhões de seus 1,3 bilhão de habitantes até meados de 2021. As autoridades indianas aprovaram a o uso emergencial da vacina da AstraZeneca, assim como do fármaco desenvolvido pela empresa local Bharat Biotech.

Por sua vez, Israel, país com o ritmo mais acelerado de vacinação, anunciou no domingo que dois milhões de pessoas, quase 20% de sua população, receberão as duas doses da vacina até o fim de janeiro.

Enquanto isso, os confinamentos continuam sendo a única solução que os governos encontram para conter as sucessivas ondas da pandemia.

Além da Inglaterra e da Escócia, o Líbano anunciou nesta segunda um reconfinamento do país de quinta-feira até o final de janeiro, em consequência ao disparo das infecções pela covid-19 durante os feriados de fim de ano e a saturação dos hospitais.

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