Reino Unido começa a vacinar população com imunizante da AstraZeneca/Oxford

Extra e agências internacionais
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O Reino Unido se tornou nesta segunda-feira o primeiro país a utilizar a vacina contra a Covid-19 da farmacêutica britânica AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido). Oimunizante é testado no Brasil e é, até o momento, a única fórmula adquirida pelo governo federal, com previsão de 100 milhões de doses entregues no primeiro semestre deste ano. Nesta semana, está previsto o pedido de uso emergencial da vacina pela Fiocruz, que pretende iniciar a imunização neste mês.

O marco acelera a campanha de vacinação do Reino Unido, iniciada em dezembro após o agravamento da pandemia do novo coronavírus no país. Brian Pinker, um britânico de 82 anos e paciente de diálise, recebeu no Hospital Churchill da Universidade de Oxford a vacina "nacional", informou o Serviço Nacional de Saúde (NHS), que já dispõe de 520 mil doses preparadas para distribuição.

Com o rosto protegido por uma máscara, Pinker, um trabalhador de manutenção aposentado, arregaçou a manga da camisa diante das câmeras de televisão para que a enfermeira chefe do Hospital Churchill de Oxford aplicasse a injeção.

"Estou muito feliz de receber esta vacina contra a Covid hoje e muito orgulhoso que tenha sido desenvolvida em Oxford", afirmou, de acordo com um comunicado divulgado pelo NHS. Pinker afirmou ainda que estava ansioso para comemorar seu 48º aniversário de casamento com a esposa Shirley em fevereiro.

— É um verdadeiro privilégio ter administrado a primeira vacina Oxford/AstraZeneca aqui no Hospital Churchill, a poucas centenas de metros de onde foi desenvolvida — afirmou a enfermeira chefe, Sam Foster.

Seis hospitais na Inglaterra administram a primeira leva de 530 mil doses disponíveis no Reino Unido. O programa deve ser expandido para centenas de outros centros de vacinação por todo o país na próxima semana. O governo espera por outras dezenas de milhões de doses da AstraZeneca nos próximos meses.

Com mais de 75 mil mortes, o Reino Unido é um dos países da Europa mais afetados pela Covid-19 e é a sexta nação mais impactada pela pandemia no mundo. Quase 55 mil pessoas testaram positivo para a doença nas últimas 24 horas, superando a marca de 50 mil pelo sexto dia consecutivo, de acordo com os dados oficiais publicados no domingo.

O Reino Unido, que já aplicou em mais de um milhão de pessoas a vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech — da qual também foi o primeiro país a aprovar —, enfrenta uma nova onda de contágios desde a descoberta em dezembro de uma nova linhagem do Sars-CoV-2, a B.1.1.7, que seria muito mais transmissível do que as anteriores.

O país já vacinou 1 milhão de pessoas, mais do que toda a União Europeia (UE), segundo o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock. O Reino Unido foi o primeiro país ocidental a regulamentar o uso emergencial de uma vacina contra a Covid-19 dentro dos procedimentos científicos usuais. Outras nações

— É um triunfo da ciência britânica que tenhamos chegado a este ponto. Desde o começo percebemos que a vacina era a única saída (da pandemia) a longo prazo — disse Hancock ao canal Sky.

O governo do primeiro-ministro Boris Johnson assegurou 100 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, que pode ser estocada entre 2°C e 8°C, temperaturas compatíveis com refrigeradores usuais. Já o imunizante da Pfizer exige freezers específicos e mais raros que mantêm as doses a -75°C.

Enquanto as grandes potências vislumbram os benefícios de ser o primeiro a sair da pandemia, o Reino Unido se apressa para vacinar sua população mais rápido do que os Estados Unidos e o restante da Europa, embora a Rússia e a China estejam vacinando seus cidadãos há meses em regime emergencial.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação de 2 milhões de doses de vacinas pela Fiocruz. A instituição é a responsável pela produção da vacina desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford no Brasil. A expectativa é que as primeiras doses comecem a chegar ao país este mês.

A importação, que teve sinal verde no último dia 31, é considerada excepcional, porque o imunizante ainda não teve seu uso emergencial aprovado, assim como o registro sanitário. Ao justificar o pedido à agência, a Fiocruz alegou que pretende antecipar a disponibilização de vacinas a partir do momento em que o produto for autorizado pela Anvisa.

Como se trata de uma importação de vacina que ainda não foi aprovada no Brasil, a entrada no país deve seguir algumas condições estabelecidas pela Anvisa. A principal exigência é que as vacinas importadas fiquem sob a guarda específica da Fiocruz até que a Anvisa autorize o uso do produto no país.

"Para isso, a Fiocruz deve garantir as condições de armazenamento e segurança para manutenção da qualidade do produto", destacou a Anvisa em seu comunicado.

As doses importadas foram fabricadas pelo Serum Institute of India PVT. LTD, que é uma das empresas participantes da Covax Facility, iniciativa global liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa acelerar o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 e universalizá-las.

Em nota enviada à imprensa no último domingo, a Fiocruz afirma que o pedido de autorização para uso emergencial "será formalizado (...) à Anvisa nesta semana."

Nesse pedido, o laboratório deve informar quantas doses serão aplicadas e em qual população. Pela norma, a agência tem até dez dias para emitir a autorização de uso. No entanto, técnicos da agência acreditam que isso será feito em menos de dez dias, porque as conversas entre o laboratório e a Anvisa já estão bastante adiantadas.