Manifestações são reprimidas com violência em Mianmar, alvo de sanções ocidentais

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Forças de segurança abriram fogo contra manifestantes nesta quinta-feira em Mianmar, cuja junta no poder foi alvo de sanções dos Estados Unidos e do Reino Unido.

O relator especial da ONU para aquele país, Tom Andrews, pediu uma reunião de cúpula internacional imediata, por considerar lenta e fraca a resposta internacional ao golpe de Estado que derrubou em fevereiro o governo civil, liderado por Aung Suu Kyi.

Forças de segurança abriram fogo contra manifestantes no estado de Kachin, onde uma pessoa teria morrido, segundo um morador, e no estado de Karen, onde um estudante foi ferido, de acordo com uma testemunha. Em Mandalay, médicos e enfermeiros em greve se manifestaram ao amanhecer, para evitar a polícia. Já em Yangon, capital econômica do país, cidadãos protestaram logo cedo vestindo roupas tradicionais, alguns com cartazes que pediam "Fora, ditador terrorista!", segundo a imprensa local.

À noite, no estado de Shan, forças de segurança mataram a tiros quatro civis em bairros residenciais, de acordo com a Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP), segundo a qual 320 pessoas teriam morrido desde o golpe, vítimas da repressão.

Na Tailândia, a rainha da beleza birmanesa Han Lay condenou a repressão às manifestações e aproveitou uma entrevista ao veículo local Khaosod para fazer um chamado: "Quero pedir ao mundo que, por favor, apoie o povo birmanês. Tem tanta gente morrendo baleada pelos militares... Por favor, salvem-nos."

- Sanções -

O Reino Unido e os Estados Unidos anunciaram hoje novas sanções contra os interesses financieros da junta militar que deu o golpe de Estado em Mianmar, neste caso contra dois conglomerados industriais de propriedade dos militares.

"As sanções de hoje têm como alvo interesses financeiros do Exército, com o objetivo de cortar as fontes de financiamento de suas campanhas de repressão contra os civis", disse o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, em um comunicado que anunciou sanções contra o grupo Myanmar Economic Holdings (MEHL).

Raab acusou o conglomerado, propriedade de antigos e atuais militares birmaneses, de estar envolvido em "graves violações dos direitos humanos" ao financiar a campanha de "limpeza étnica" das Forças Armadas contra a minoria rohingya em 2017.

Além do MEHL, Washington também anunciou sanções contra outro conglomerado de propriedade militar, o Myanmar Economic Corporation.

"Os militares controlam partes significativas da economia do país através dessas duas corporações", especialmente nos setores do comércio, dos recursos naturais, álcool, cigarros e dos bens de consumo, destacou um comunicado do Tesouro dos EUA.

O relator especial da ONU para Mianmar, Tom Andrews, considerou que a comunidade internacional não foi muito longe, e apontou que as sanções específicas "não bloquearam o acesso da junta às receitas que contribuem para sustentar suas atividades ilegais". Indonésia e Cingapura, países influentes daquela região, pediram à junta que deixe de usar armas letais.

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