Reino Unido e UE acertam texto do Brexit a ser submetido a ministros de May

Por Guy Faulconbridge e Elizabeth Piper
Manifestantes pró e contra o Brexit em frente às Casas do Parlamento em Londres, no Reino Unido 13/11/2018 REUTERS/Toby Melville

Por Guy Faulconbridge e Elizabeth Piper

LONDRES (Reuters) - O Reino Unido e a União Europeia acertaram o esboço de um acordo para o Brexit que a primeira-ministra britânica, Theresa May, apresentará aos seus principais ministros nesta quarta-feira, após mais de um ano de difíceis negociações.

Enquanto as autoridades coreografam a primeira desfiliação de um Estado soberano do bloco, ainda não está claro se May conseguirá a aprovação de qualquer acordo no Parlamento britânico, com apoiadores veementes do Brexit dizendo que ela se rendeu a Bruxelas.

"O gabinete se reunirá às 14h amanhã para analisar o esboço de acordo que as equipes de negociação acertaram em Bruxelas e para decidir os próximos passos", disse um porta-voz no escritório de May em Downing Street.

"Os ministros do gabinete foram convidados a ler a documentação antes desta reunião", acrescentou o porta-voz depois que a mídia britânica e irlandesa vazaram detalhes do pacto.

Uma autoridade sênior da UE confirmou que um rascunho do texto foi acordado. Líderes da UE podem se reunir em 25 de novembro para uma cúpula que selará o acordo do Brexit caso o gabinete de May aprove o texto, disseram fontes diplomáticas.

A libra esterlina, que vinha oscilando desde que chegou a 1,50 dólar pouco antes do resultado do referendo de 2016 sobre a separação britânica da UE, chegou a 1,3036 dólar.

O Brexit conduzirá a quinta maior economia do mundo a um terreno desconhecido, e muitos temem que ele ajude a dividir o Ocidente, já às voltas com a Presidência atípica de Donald Trump e uma postura cada vez mais assertiva da Rússia e da China.

Apoiadores do Brexit dizem que, embora o divórcio possa trazer alguma instabilidade no curto prazo, num prazo mais longo ele permitirá que o Reino Unido prospere e também possibilitará uma integração mais profunda da UE sem um membro tão poderoso e relutante.

Londres e Bruxelas precisam de um acordo para manter o fluxo comercial entre o maior bloco comercial do mundo e o Reino Unido, que abriga o maior centro financeiro internacional.

Mas May tem tido dificuldade para desfazer quase 46 anos de filiação sem prejudicar o comércio ou contrariar parlamentares que decidirão o futuro de qualquer pacto que venha a obter.

Faltando menos de cinco meses para a saída do Reino Unido do bloco, a chamada solução emergencial para a Irlanda do Norte continua sendo a principal pendência para o fechamento de um acordo.

A medida é uma apólice de seguro para evitar a reinstauração de controles na fronteira entre a Irlanda do Norte, uma província britânica, e a Irlanda, membro do bloco, se um futuro relacionamento comercial não for acordado a tempo.

Não ficou claro o que foi acertado na Irlanda. O governo britânico não forneceu detalhes imediatos sobre o acordo do Brexit, que deve ter centenas de páginas.

De acordo com a emissora irlandesa RTE, a solução emergencial terá a forma de um ajuste alfandegário temporário com vigência em todo o Reino Unido, com cláusulas específicas para a Irlanda do Norte que se aprofundam mais na questão da alfândega e do alinhamento com as regras do mercado comum do que para o restante do Reino Unido.

Ela também incluirá um mecanismo de revisão já acertado, disse a RTE, acrescentando que entende que ainda será necessária alguma "movimentação adicional" entre Londres e Bruxelas.

Ao buscar a separação do bloco mantendo os laços comerciais mais estreitos possíveis, o plano de concessões de May aborreceu apoiadores do Brexit, pró-europeus, nacionalistas escoceses, o partido da Irlanda do Norte que sustenta seu governo e até alguns de seus próprios ministros.

(Reportagem adicional de William James, Kylie MacLellan, Andrew MacAskill, Kate Holton, Alistair Smout e Alistair Macdonald)

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