Reino Unido elabora censo que inclui identidade de gênero

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Bandeira britânica em edifício de Ludgate Hill, centro de Londres, em 12 de janeiro de 2021

Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte começaram a elaborar neste domingo(21) um censo que inclui, pela primeira vez, uma questão sobre identidade de gênero.

A contagem, realizada a cada dez anos, busca definir um retrato da população. Cada habitante deve responder a uma série de perguntas sobre sua idade, seu emprego, sua origem étnica e o vínculo que mantém com seus parceiros.

Desde 1801, o censo pergunta sobre sexo - masculino ou feminino - mas este ano uma pergunta adicional foi adicionada: identidade de gênero.

A pesquisa incluiu a seguinte pergunta: 'o gênero com o qual você se identifica é igual ao sexo com o qual você foi registrado quando nasceu?'

Se a resposta for negativa, o entrevistado pode especificar sua identidade de gênero. A pergunta é feita apenas para maiores de 16 anos e a resposta é opcional.

Com esta pergunta, será possível “medir pela primeira vez a proporção da população trans”, explicou em seu site o Instituto Nacional de Estatística (ONS), que nos últimos anos trabalhou com diversos órgãos para definir quais questões incluir no Censo.

Por força de uma decisão da máxima instância judiciária, o ONS concordou em especificar em suas instruções que a resposta à primeira questão sobre sexo deve se referir a um documento oficial, como uma certidão de nascimento.

Um grupo de ativistas, Fair Play For Women, que afirma defender "os direitos das mulheres e meninas", havia contestado o tribunal, temendo que a pergunta "Qual é o seu sexo?" possa levar à "autoidentificação sexual de forma orientada".

O Fair Play for Women reivindicou que "informações exatas sobre sexo" sejam obtidas.

Vários países, como Nepal e Bangladesh, incluíram um "terceiro sexo" no censo para pessoas trans.

O censo começou a ser realizado em todo o Reino Unido, exceto na Escócia, onde foi adiado para março de 2022.

Devido à pandemia do coronavírus, ele ocorrerá principalmente online.

Os que se recusarem a responder ao questionário ou fornecerem informações erradas podem ser penalizados em até 1.000 libras (1.160 euros).

O último censo data de 2011.

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