Reino Unido enfrentará 'emergência nacional' com Brexit, dizem patronal e sindicatos

As consequências de um Brexit sem acordo seriam consideráveis em termos de circulação de mercadorias e turistas entre a União Europeia e o Reino Unido

O Banco da Inglaterra (BoE) expressou nesta quinta-feira sua preocupação com o impacto econômico das incertezas que cercam o Brexit, enquanto organizações patronais e sindicais alertam que o país enfrentará uma "emergência nacional" em caso de saída da UE sem acordo.

Já o Ministério da Defesa iniciou a instalação de um centro operacional em um bunker com proteção antinuclear em Londres para o caso de um Brexit sem acordo. "É uma equipe que está pronta para apoiar qualquer ação se for necessário", disse à AFP um porta-voz nesta quinta-feira.

A chamada Operation Redfold foi ativada no começo da semana e o pessoal militar pode ser utilizado para ajudar a transportar comida, combustível e outros elementos no país em caso de demoras nas fronteiras, segundo relatórios.

Com mais calma, oito dias antes da suposta data da saída da UE, em 29 de março, o BoE manteve, como era esperado, sua taxa básica de juros em 0,75% e manteve intacto seu programa de compra de ativos.

O BoE se refere aos últimos dados econômicos "discretos" e considerou que "as incertezas em torno do Brexit continuam pesando sobre a confiança e a atividade econômica a curto prazo".

O banco central admitiu que, devido ao Brexit, era mais difícil chegar a conclusões sobre a evolução do crescimento a médio prazo a partir desses dados econômicos.

Em sua última reunião, em fevereiro, o BoE tinha reduzido consideravelmente suas previsões de crescimento do país para os próximos anos, antecipando uma progressão do PIB de 1,2% e 1,5% em 2019 e 2020, contra 1,7% para dois anos numa previsão anterior.

O BoE garantiu nesta quinta que "a variação das expectativas sobre a natureza e a data de saída do Reino Unido da UE continua a gerar volatilidade dos ativos britânicos, particularmente sobre a libra" esterlina britânica.

Oito dias antes do previsto Brexit, a UE parece a favor de concordar com uma pequena extensão da data de partida, mas não até 30 de junho, como solicitado pela primeira-ministra britânica, Theresa May.

O acordo de saída assinado por May e pela UE foi rejeitado em massa duas vezes pelo Parlamento britânico.

- Novo enfoque -

O que os meios econômicos britânicos mais temem é um Brexit abrupto, sem acordo, o que eles consideram que seria o pior cenário para eles e que poderia criar um verdadeiro choque na economia do país.

Em uma carta pública endereçada a Theresa May nesta quinta-feira, a organização patronal CBI e a confederação sindical TUC pedem à primeira-ministra uma "nova abordagem" ao Brexit e alertam para uma situação de "emergência nacional".

"Nosso país enfrenta uma emergência nacional" porque as "decisões dos últimos dias provocam o alto risco de falta de acordo" sobre o Brexit, dizem eles na carta.

A perspectiva de uma saída da UE sem acordo é levada cada vez mais a sério. Um sinal disso é que um terço das empresas britânicas executaram ações para se preparar para essa possibilidade.

Além disso, 80% delas se declaram "preparadas" para um Brexit "sem acordo nem transição" em 29 de março, contra 50% em janeiro, segundo pesquisa realizada pelo BoE.