Reino Unido ganha ares tropicais e deve registrar mais de 40° pela primeira vez na história

AP - Yui Mok

Os serviços de previsão meteorológica britânicos lançaram, pela primeira vez na história, um alerta de “calor extremo” para esta segunda (18) e terça-feira (19). As temperaturas na Inglaterra podem ultrapassar os 40° e o governo é acusado de não levar a situação a sério.

"Alerta vermelho" e "risco para a vida" foram os termos usados pela Met Office, a agência meteorológica britânica, para prevenir a população do que vem pela frente neste início de semana.

Mesmo se falar sobre as condições meteorológicas é praticamente um esporte nacional no Reino Unido, os moradores não estão nada acostumados com os números anunciados desde sexta-feira (15) por Paul Gundersen, do Met Office.

Em um país onde a temperatura mais alta já registrada foi de 38,7°C, em 2019, falar de mais de 40° é algo que os britânicos não conseguem nem imaginar. Até porque as noites também serão “excepcionalmente quentes”, principalmente nas zonas urbanas, algo raro nas terras da rainha.

“Nunca pensávamos chegar nessa situação. Mas pela primeira vez as previsões ultrapassam os 40° no Reino Unido”, insistiu Nikos Christidis, outro especialista do Met Office, que faz a ligação direta entre as temperaturas registradas nos últimos dias em vários países europeus e o aquecimento do planeta.

“Aproveitem o sol”

Neste domingo (17), véspera do pico de calor, o governo britânico foi acusado de não levar a sério a situação. O ministro dos Transportes, Kit Malthouse, alertou que haverá "grandes interrupções" no setor, enquanto o prefeito de Londres, Sadiq Khan, aconselhou a população a usar o transporte público apenas se for "absolutamente necessário".

No entanto, Dominic Raab, adjunto do primeiro-ministro Boris Johnson, pediu apenas que se respeite alguns "conselhos de senso comum". "Mantenha-se hidratado, evite sol nas horas mais quentes e passe protetor solar, esse tipo de coisa", disse ele à Sky News. Ao mesmo tempo, afirmou que é preciso "aproveitar o sol", que o país é resistente o suficiente para aguentar o calor e que não há razão para fechar as escolas.

"Não é um dia bonito de sol, em que você pode passar protetor solar, ir nadar, ou comer fora", frisou o diretor-executivo do College of Paramedics, Tracy Nicholls, reconhecido corpo profissional para paramédicos no país. "Trata-se de um calor severo que pode, de fato, provocar mortes, porque é forte demais", contestou. "Não estamos preparados para esse tipo de calor neste país", insistiu.

Diante da falta de experiência dos britânicos com essas temperaturas, os jornais locais dão conselhos simples, como deixar as cortinas fechadas, para evitar que o sol aqueça os cômodos, e evitar bebidas alcoólicas, deixando de lado outro esporte nacional: a cerveja gelada.

(Com informações da AFP)

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