Reino Unido pede desculpas aos 'escudos humanos' de Saddam Hussein

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Foto divulgada pelo governo real da Tailândia em 10 de novembro de 2021 mostra a ministra de Relações Exteriores britânica, Liz Truss, durante uma reunião com o primeiro-ministro da Tailândia, Prayut Chan-o-cha, em Bangcoc (AFP/Handout)

O governo britânico pediu desculpas nesta terça-feira(23) aos passageiros da British Airways que em 1990 serviram como "escudos humanos" para o presidente iraquiano Saddam Hussein, reconhecendo que não avisaram a companhia aérea que o Iraque invadiria o Kuwait, onde o avião fez escala.

O voo BA149, de Londres a Kuala Lumpur, fez escala na Cidade do Kuwait em 2 de agosto de 1990, poucas horas após a invasão que levou à Guerra do Golfo.

Seus passageiros foram mantidos por dias em um hotel vigiado pelo exército iraquiano antes de serem transferidos para locais estratégicos de Bagdá.

Alguns dos 367 passageiros e tripulantes passaram mais de quatro meses em cativeiro, alojados em instalações que poderiam ser alvos das forças da coalizão ocidental.

Por 30 anos, esses ex-reféns questionaram quais informações estavam disponíveis para o governo britânico, que eles responsabilizaram.

Nesta terça-feira, a chanceler Liz Truss disse ao Parlamento que o embaixador britânico no Kuwait informou Londres sobre a invasão do Iraque por volta da meia-noite, ou seja, após a decolagem do avião.

Mas nenhum alerta foi repassado à companhia aérea British Airways, que poderia ter desviado o voo.

"A ligação (do embaixador) nunca foi divulgada publicamente ou reconhecida até agora", reconheceu Truss, considerando "inaceitável".

"Na qualidade de atual ministra, peço desculpas na Câmara e expresso minha mais profunda empatia àqueles que foram detidos e maltratados", acrescentou.

Truss, no entanto, negou as acusações levantadas em um livro publicado no Reino Unido, intitulado "Operação Cavalo de Troia", segundo o qual o governo usou o voo - atrasado oficialmente duas horas por "problemas técnicos" - para mobilizar nove agentes da inteligência no Kuwait, apesar do risco para os civis.

Segundo seu autor, Stephen Davis, a inteligência dos Estados Unidos havia comunicado a iminente invasão iraquiana a Londres.

Um dos ex-reféns, Barry Manners, 55 anos, rejeitou o pedido de desculpas do governo, que ele acusa de mentir sobre os agentes britânicos.

"O que diabos eles eram então? Membros de um time de rúgbi? Bastava olhar para eles, sei que eram militares", acrescentou.

A companhia aérea, acusada de negligência e ocultação de informações, celebrou que "esses documentos confirmam que a British Airways não foi avisada da invasão" do Kuwait pelo Iraque.

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