Reino Unido pode se juntar ao Fundo Amazônia para ajudar a controlar desmatamento, diz ministra britânica

Vista aérea mostra a floresta amazônica perto da cidade de Santarém (PA)

(Repete reportagem, sem alteração no texto, para ampliar assinantes)

Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - O Reino Unido está considerando ingressar no Fundo Amazônia de bilhões de dólares reaberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para financiar a sustentabilidade na floresta tropical, disse a ministra britânica do Meio Ambiente, Agricultura e Assuntos Rurais, Thérèse Coffey.

"É algo que estamos analisando seriamente", afirmou Coffey à Reuters na segunda-feira em Brasília, onde compareceu à posse de Lula no domingo, em sua primeira visita ao Brasil.

Ela disse que o governo britânico já está conversando com os atuais parceiros do fundo, Noruega e Alemanha, que doaram 1,2 bilhão de dólares para a criação da iniciativa.

O fundo foi congelado pelo governo de Jair Bolsonaro, alegando irregularidades entre projetos administrados por ONGs, sem oferecer nenhuma prova.

Uma das primeiras decisões de Lula no cargo foi revogar políticas de Bolsonaro que enfraqueceram a proteção ambiental e ajudaram a contribuir para o desmatamento que atingiu o maior nível em 15 anos, incluindo uma medida que incentivava a mineração em terras indígenas protegidas.

Lula também reabriu o Fundo Amazônia.

Coffey disse que o Reino Unido tem muito a oferecer ao Brasil, incluindo programas de sustentabilidade rural e arquitetura de baixo carbono para ajudar na mobilização de fundos com sua força como um centro global de finanças verdes.

O Reino Unido já é o terceiro maior colaborador do Brasil no meio ambiente, tendo comprometido mais de 250 milhões de libras de seu fundo piloto internacional, segundo ela.

Coffey se reuniu com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.

“É muito importante no meu primeiro dia de trabalho ter o Reino Unido compartilhando os mesmos objetivos”, disse o ministro Fávaro, que também recebeu a vice-primeira ministra e ministra da Economia da Ucrânia, Yuliia Svrydenko, segundo comunicado do ministério.

As comunidades indígenas foram especialmente atingidas pela mineração ilegal que avançou junto com o desmatamento na Amazônia sob o governo de Bolsonaro.

"Vejo um desejo e intenção de mudar isso", disse a ministra britânica.

Coffey acrescentou que o governador do Pará, Helder Barbalho, a convidou para visitar o Estado para ver projetos na floresta tropical.