Reino Unido proíbe entrada de viajantes com origem no Brasil, Portugal e países da América Latina

O Globo
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LONDRES — Um dia após o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, se dizer preocupado com a possível nova variante brasileira do coronavírus Sars-CoV-2, o secretário de Transportes britânico, Grant Shapps, anunciou nessa quinta-feira a proibição da entrada de viajantes com origem no Brasil, Portugal e países da América Latina e África a partir da próxima sexta-feira. A linhagem foi detectada em japoneses que estiveram no estado do Amazonas e carrega similaridades com outras duas mutações já identificadas em território britânico e na África do Sul.

Shabbs anunciou a decisão pelo Twitter. O secretário justificou a inclusão de Portugal, única nação europeia da lista à exceção do departamento ultramarino francês da Guiana Francesa, em razão de sua "forte ligação" com o Brasil. Ficarão isentos da medida caminhoneiros portugueses que transportam cargas essenciais pelo continente europeu.

Integram a lista, além dos dois países e do departamento francês, Argentina, Bolívia, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. A medida passa a vigorar às 1h da manhã no horário de Brasília (4h da manhã em Londres).

Os voos entre Brasil e Reino Unido estão suspensos desde o dia 25 de dezembro por decisão do governo brasileiro, após forte pressão pelas restrições em função da variante britânica B.1.1.7 do novo coronavírus, que se tornou prevalente no país europeu e é potencialmente mais infecciosa do que as demais cepas. No entanto, brasileiros tinham a possibilidade de chegar ao Reino Unido por meio de conexões, o que não será mais possível com as novas restrições.

O secretário britânico afirmou, ainda, que o veto não valerá para cidadãos britânicos, irlandeses e pessoas com direitos de residência no país. Neste caso, estes indivíduos deverão se isolar durante dez dias junto dos demais moradores de suas residências.

Na última quarta-feira, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, havia antecipado que seu governo procurava "maneiras de impedir" que a variante encontrada no Brasil chegasse ao Reino Unido.

— Estamos preocupados com a nova variante brasileira. E estamos tomando providências (para proteger o país) em relação à variante brasileira. Acho que é justo dizer que ainda temos muitas dúvidas sobre essa variante — disse Johnson a um comitê parlamentar.

O Reino Unido é o país europeu mais afetado pela Covid-19. Até o momento, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA), 3,2 milhões de pessoas contraíram a doença e quase 85 mil faleceram por conta do novo coronavírus desde o início da pandemia.

No fim de 2020, o governo britânico alertou sobre os riscos da variante B.1.1.7, que ganhou prevalência em várias regiões do país e possui uma mutação, denominada E484K, na proteína S, responsável pela infecção das células humanas pelo Sars-CoV-2. A alteração seria capaz de tornar o patógeno mais contagioso.

Estima-se que uma em cada 30 pessoas em Londres estejam infectadas. Os hospitais estão sobrecarregados e as autoridades britânicas lutam para que a população siga as medidas de prevenção e isolamento.

Variante 'brasileira'

Batizada de B.1.1.28, a nova linhagem detectada em japoneses que estiveram na Amazônia pode ser mais infecciosa do que as demais variantes que circulam no Brasil, como demonstraram trabalhos de sequenciamento genético do novo coronavírus conduzidos pela Fiocruz Amazônia.

Segundo o pesquisador da instituição Felipe Naveca, que atuou no sequenciamento da linhagem, uma pesquisa independente conduzida pela parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Oxford (Reino Unido) chegou às mesmas conclusões "simultaneamente". A definição em torno de uma nova variante brasileira, no entanto, depende de curadoria internacional e de estudos mais aprofundados, ainda segundo Naveca.