Reino Unido relata mais 30 casos de coagulação sanguínea em pessoas que receberam vacina da AstraZeneca

Extra, com agências
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LONDRES - O Reino Unido relatou 30 casos de coágulos sanguíneos extremamente raros em pessoas que receberam a vacina AstraZeneca-Oxford, o mesmo tipo de evento que levou alguns países europeus a restringir o uso da vacina em certas faixas etárias de risco.

Os relatórios representaram 25 casos a mais do que o regulador de medicamentos do Reino Unido havia recebido anteriormente. Até então, havia certo mistério do porquê o Reino Unido não observou o mesmo fenômeno que foi visto na Europa continental, levando países como França, Alemanha e Suécia a suspender as aplicações.

O regulador de medicamentos do Reino Unido disse que não recebeu relatos de nenhum desses casos de coagulação em pessoas que receberam a vacina Pfizer-BioNTech.

Os casos que geram preocupação com o imunizante desenvolvido pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford envolvem coágulos sanguíneos combinados com níveis anormalmente baixos de plaquetas, um distúrbio que pode causar sangramento intenso.

Os eventos de coagulação que mais preocupam, conhecidos como trombose do seio venoso cerebral, envolvem coágulos nas veias que drenam o sangue do cérebro, uma condição que pode levar a um tipo raro de derrame. Esses representaram 22 dos 30 casos de coagulação que o Reino Unido relatou esta semana.

Mas não está claro se algum dos casos está relacionado à vacina. E, mesmo que sejam, reguladores britânicos e europeus disseram que eles eram tão raros que a vacina deveria continuar a ser usada.

Na quinta-feira, a comissão de imunização da Alemanha, a STIKO, recomendou que qualquer pessoa com menos de 60 anos que recebeu uma vacinação inicial com AstraZeneca recebesse doses da Pfizer-BioNTech ou da Moderna como sua segunda dose de vacina.

Ao relatar sua contagem de casos atualizada, o regulador de medicamentos do Reino Unido disse que “os benefícios das vacinas contra a Covid-19 continuam a superar quaisquer riscos, e você deve continuar a receber sua vacina quando for convidado a fazê-lo”. O regulador de medicamentos da União Europeia também recomendou que os países continuem a usar a vacina AstraZeneca. Ambas as agências continuam investigando.

Cientistas disseram na sexta-feira que o risco geral de eventos específicos de coagulação que geraram preocupação é extremamente baixo: cerca de um caso em 600 mil vacinados com a vacina AstraZeneca no Reino Unido. E é difícil saber o quão comuns são os casos na população em geral, visto que pode ser difícil de diagnosticar. Os cientistas disseram que a contagem de casos inevitavelmente aumentaria entre as pessoas vacinadas, à medida que os médicos começassem a examinar mais de perto a condição.

Os Estados Unidos podem não precisar da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca, mesmo que obtenha aprovação regulatória no país, disse o principal assessor médico da Casa Branca e maior especialista em doenças infecciosas dos EUA, Anthony Fauci, na última quinta-feira.

Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, afirmou que os Estados Unidos têm contratos suficientes com outros fabricantes de vacinas para imunizar toda a sua população e, possivelmente, o suficiente para reforçar a vacinação futuramente.

Questionado sobre se os EUA usarão as doses da vacina da AstraZeneca, ele disse: 7

— Isso ainda está no ar. Minha sensação geral é que, dadas as relações contratuais que temos com várias empresas, temos vacina suficiente para cumprir todas as nossas necessidades sem invocar a AstraZeneca — afirmou. — Se você olhar para os números (de doses) que vamos receber, a quantidade que se pode obter da J&J, da Novavax, da Moderna, se contratarmos mais, é provável que possamos lidar com qualquer reforço de que precisamos, mas não posso dizer com certeza.

O presidente dos EUA, Joe Biden, tem sofrido pressão de países para compartilhar vacinas, especialmente seu estoque de vacinas da AstraZeneca. O governo brasileiro tem feito contato com autoridades norte-americana, inclusive Fauci, com o objetivo de conseguir vacinas.