Reino Unido terá órgão regulador especial para gigantes de tecnologia como Facebook e Google

O Globo, com agências internacionais

LONDRES - O governo britânico vai criar no ano que vem um órgão regulador voltado para as grandes empresas de tecnologia, informou o jornal Financial Times, citando fontes a par do assunto.

O novo órgão terá poderes para impor novas restrições às gigantes tech, como Facebook e Google, incluindo códigos de conduta e maior acesso a informações por parte dos usuários dos serviços.

A inspiração para o novo regulador vem de um estudo feito pelo americano Jason Furman, ex-conselheiro do presidente americano Barack Obama, que recomendou um departamento dedicado ao setor, cada vez mais poderoso.

O anúncio chega num momento em que diversos governos, da Alemanha ao Japão, procuram fazer face ao poder das chamadas "big techs", para proteger cidadãos de vazamentos de dados, violações de privacidade e práticas anticompetitivas.

Enquanto isso, o atual órgão regulador de concorrência do Reino Unido anunciou nesta quarta-feira que pretende fazer uma investigação aprofundada sobre o domínio do Google e do Facebook na publicidade on-line, e sinalizou a necessidade de uma regulamentação mais rígida para conter quaisquer consequências negativas.

Um compromisso do governo com a reforma regulatória e o desafio global de controlar as gigantes da tecnologia tornaram as recomendações mais apropriadas, disse a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA).

A CMA disse que o Google obteve mais de 90% de toda a receita de publicidade em ferramentas de pesquisa no Reino Unido em 2018, com receita de cerca de 6 bilhões de libras, e o Facebook foi responsável por quase metade de toda a publicidade digital no ano passado.

Embora as empresas tenham produtos e serviços inovadores e valiosos ao mercado, o órgão está preocupado que isso possa ter consequências negativas para os usuários de seus serviços e que as pessoas sintam que não têm o controle de seus dados ao usar as plataformas.

"A maioria de nós visita sites de mídia social e ferramentas pesquisa na internet todos os dias, mas como essas empresas funcionam é um mistério", disse Andrea Coscelli, presidente da CMA, em relatório.

O Facebook afirmou estar "totalmente comprometido" em participar do processo de consulta da CMA e continuará a oferecer os benefícios da tecnologia e da publicidade relevante para os usuários no Reino Unido.

— Concordamos com a CMA que as pessoas devem ter controle sobre seus dados e transparência sobre como eles são usados — disse um porta-voz, acrescentando que os anúncios do Facebook oferecem a opção de desativar completamente os anúncios.

O vice-presidente do Google do Reino Unido e Irlanda, Ronan Harris, disse que também continuará trabalhando com a CMA e com o governo na área de publicidade digital.

"Criamos controles fáceis de usar que permitem às pessoas gerenciar seus dados nos serviços do Google - como a capacidade de desativar os anúncios personalizados e excluir automaticamente o histórico de pesquisa".

A CMA informou que fará comentários sobre suas conclusões até 12 de fevereiro de 2020.