Reitor eleitoral denuncia irregularidades na Venezuela

Eleitores esperam para votar, em Caracas, 10 de dezembro de 2017

Luis Emilio Rondón, único dos cinco reitores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ligado à oposição, denunciou irregularidades durante as eleições de prefeitos deste domingo (10), envolvendo o governo.

Segundo Rondón, "pessoas com interesses políticos" estão supervisionando o voto de alguns eleitores. Ele não deu mais informações sobre sua denúncia.

O voto "não pode ser constrangido, obrigado, nem supervisionado por pessoas com interesses políticos", declarou Rondón à imprensa.

Ele disse ainda que tem relatos de que, em alguns centros eleitorais, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, da situação) está verificando se os beneficiários de programas sociais estão indo votar.

Para isso - relatou -, escaneiam o "Carnê da Pátria", documento de leitura eletrônica que identifica as pessoas que recebem ajuda do governo do presidente Nicolás Maduro.

"Está-se confundindo o eleitor sobre a necessidade de também levar o Carnê da Pátria, o qual que não é necessário para exercer o voto, pois basta a carteira de identidade", indicou.

O reitor acrescentou que, em um município do estado de Zulia, no oeste do país, algumas testemunhas de mesa foram retiradas de seções eleitorais após fazerem observações sobre "contingências" normais nesses processos.

Diante da baixa participação em alguns lugares, Rondón convocou a população a ir às urnas e criticou setores da oposição que promovem a abstenção.

"Quem se abstém, termina favorecendo justamente aqueles aos quais se opõe", afirmou.

Os três principais partidos da coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) optaram por se afastar das eleições municipais, alegando falta de garantias.