Reitor do IFRJ assume segundo mandato com meta de ampliar oferta em mais 6 mil vagas até 2026

Empossado no final de maio para o seu segundo mandato como reitor do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Rafael Almada tem a meta de ampliar a oferta de vagas nas unidades distribuídas pelo estado em mais 6 mil até 2026, saltando dos atuais 17 mil alunos para 23 mil. Ele acredita que isso será possível com reformas e ampliações das unidades. A do Maracanã, no Rio, é uma das que vão ser ampliadas, graças à uma lei complementar aprovada em abril pela Câmara Municipal, que dispõe sobre os parâmetros urbanísticos referentes ao imóvel, permitindo que o prédio tenha até 30 metros de altura e nove pavimentos, aumentando assim a capacidade atual de estudantes podendo passar de 2.400 para mais de 3.600 alunos.

— Todo o trabalho que a gente fez no primeiro mandato vai se consolidar nessa segunda gestão. Não é um trabalho fácil. Mas, acho que essa articulação e diálogo com outras instituições, parcerias e pesquisas vão permitir isso — disse o reitor, que tem conseguido avançar com as obras graças a essas articulações, que facilitam a obtenção de recursos de emendas da bancada federal do Rio e a participações em editais, como o da Finep, que garantiu R$ 1,5 milhão que vai ser investido em melhorias na unidade de Duque de Caxias.

O instituto que teve sua origem, em 2008, numa escola de Química que só tinha duas unidades com 600 alunos, oferece 160 cursos em diferentes áreas, em 15 campi. Cada unidade atua em determinado eixo tecnológico. A do Maracanã, por exemplo, mantém a tradição de formar alunos de Química, a de Realengo é mais focada em cursos na área de Saúde, a de Volta Redonda investe no ensino de Automação e Informática, e o de Paracambi, em Eletrotécnica e Mecânica. Lá, por exemplo, foi criada a graduação em Engenharia Mecânica.

Já a unidade de Engenheiro Paulo de Frontin, onde estão os cursos voltados para novas tecnologias, é a única de uma instituição federal a oferecer cursos como o de Jogos Digitais, que atende ao mercado de games que e em 2021 gerou R$ 175,8 bilhões. Com três anos de duração, a modalidade tem bastante procura, por ser área de grande demanda e de fácil colocação no mercado. O campus tem hoje 782 alunos matriculados e desde 2014 já formou centenas de profissionais na área.

Ao final de cada semestre os alunos têm de criar um game, fazendo com que ao fim do curso já tenham um portfólio montado para apresentar e que pode ser muito útil para sua apresentação no mercado de trabalho. O curso superior tecnológico em Jogos Digitais exige ensino médio completo para ingresso. Os alunos saem aptos a desenvolver jogos de simulação 2D e 3D, criar jogos digitais, incluindo redes e dispositivos móveis (smartphones), e trabalhar no desenvolvimento e na gestão de projetos de sistema de entretenimento digital interativo, na modelagem de personagens virtuais.

— Nossos alunos saem empregados nas indústrias de games, participam de eventos como o Games XP (nas últimas edições do Rock in Rio, em 2017 e 2019) e estão ganhando editais para a produção de jogos. É um curso bastante legal e que o mercado absorve bem os nossos formandos, porque é uma indústria que vem crescendo muito nos últimos anos. Esses estudantes também são absorvidos pelo mercado de audiovisual, podendo trabalhar com animação, criação de roteiro e sonorização — aponta o reitor.

O outro curso, esse em nível técnico, é o de informática para a internet focada na elaboração de aplicativos, também em alta. Essa modalidade é integrada ao ensino médio, com duração de três anos ou seis semestres, onde os alunos saem aptos a desenvolver sistemas para web, além de desenvolver e realizar manutenção em sites e portais de internet e intranet.

O sucesso desses cursos fez com que o reitor criasse, em 2019, na mesma unidade, uma pós-graduação em tecnologia da informação, sendo que as primeiras turmas só foram formadas recentemente, por causa da pandemia. Oferecido totalmente à distância, a modalidade atrai interessados de todo o Brasil. Na última seleção para as 100 vagas oferecidas se candidataram mais de 500 candidatos.

— É um curso para quem quer trabalha na área de TI, que é muito promissora. Forma profissionais para atuar em projetos que envolvam tecnologia e inovação, que pode ser a criação de uma startup, por exemplo — afirma Almada.

O campus possui ainda uma incubadora de start ups, onde incentiva o empreendedorismo e a inovação dos alunos, que já criaram 14 empresas para comercializar os games criados por eles.

O instituto investe na chamada verticalização do ensino, ou seja, o aluno entra para fazer um curso de curta duração, de formação rápida, e, se quiser, pode continuar na unidade se aperfeiçoando, através da formação técnica, graduação e pós- graduação. A forma de acesso nos cursos de nível médio é por meio de prova e análise de currículo; na graduação, é pelo Enem; e nos de pós-graduação, através de provas específicas.

Com formação em Química, o reitor Rafael Almada é o que pode se chamar de cria do IFRJ. Carioca, nascido no Engenho Novo e criado no Pavuna, na Zona Norte do Rio, foi aluno do curso técnico em Química da unidade de Nilópolis da antiga Escola Técnica Federal de Química, que atualmente é um dos Campi do IFRJ, instituição que administra. Doutor em Engenharia Química pela Coppe/UFRJ, o quarto reitor da instituição e o único a ser reeleito pela comunidade acadêmica. Aos 40 anos, é o reitor mais jovem do estado e o segundo mais novo do país.

Almada ocupa também seu segundo mandato na presidência do Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro, com atuação dinâmica nas atividades do Sistema CFQ/CRQs, onde coordena o Comitê de Relações Institucionais e Governamentais (CRIG) do Conselho Federal de Química.

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