Rejeição a atuação de Saúde e governadores na pandemia cai, diz Datafolha

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**ARQUIVO**BRASILIA, DF, 06-05-2021: O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
**ARQUIVO**BRASILIA, DF, 06-05-2021: O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A rejeição dos brasileiros ao desempenho do Ministério da Saúde e dos governadores com relação à condução da pandemia da Covid-19 diminuiu, revela pesquisa do Datafolha.

Já a reprovação do trabalho do presidente Jair Bolsonaro segue alta, embora tenha oscilado negativamente, dentro da margem de erro da pesquisa.

O levantamento foi realizado com 2.071 pessoas, de forma presencial, em 146 municípios, nos dias 11 e 12 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

De acordo com o instituto, 32% dos entrevistados avaliam que a pasta da Saúde, responsável pela coordenação nacional dos esforços contra a Covid-19, tem atuação ruim ou péssima.

É uma queda de sete pontos percentuais com relação à pesquisa anterior, de março deste ano, que retoma o patamar observado no levantamento feito em janeiro. Naquela ocasião, 30% tinham avaliação negativa do ministério.

Ao mesmo tempo, não houve alteração significativa entre os que aprovam como ótimo ou bom o desempenho da pasta da Saúde, que oscilou positivamente de 28% para 30%. A parcela que julga a performance como sendo regular subiu, de 32% para 37%.

O cenário um pouco mais favorável para o ministério pode ter relação com a mudança ocorrida no comando da pasta desde a última pesquisa, realizada há dois meses.

Nesse intervalo, houve a troca do general Eduardo Pazuello pelo cardiologista Marcelo Queiroga como ministro.

Queiroga tem dado ênfase maior à vacinação como resposta à pandemia, além de pregar o uso de máscaras, atitude que contrastava com a de seu criticado antecessor.

Principais alvos de Bolsonaro na disputa política sobre a pandemia, os governadores também registraram um recuo nos seus índices de rejeição, aponta a pesquisa.

Houve uma queda de seis pontos percentuais na parcela do eleitorado que considera o desempenho dos gestores estaduais ruim ou péssimo.

A avaliação negativa atualmente é feita por 29% dos entrevistados, contra 35% que classificam a atuação como ótima ou boa —oscilação positiva de um ponto. Para 35%, o trabalho dos governadores é regular, aumento de cinco pontos percentuais na comparação com a pesquisa anterior.

Desde o início da pandemia, a maioria dos governadores tem travado uma queda de braço com Bolsonaro.

O presidente acusa muitos deles de desviar recursos federais repassados para equipar hospitais e comprar insumos para o tratamento de doentes, e tem insistido em que eles também sejam alvo de apuração pela CPI da Covid no Senado.

Os governadores, por sua vez, têm buscado fechar contratos com fornecedores de vacinas de forma independente, para contornar a lentidão federal.

A pesquisa continua mostrando grande rejeição ao desempenho de Bolsonaro na condução da pandemia, mas com pequenos sinais de melhora em sua imagem.

Agora, avaliam seu desempenho como sendo ruim ou péssimo neste tema 51% dos entrevistados, uma oscilação negativa de três pontos. Ainda assim, é uma rejeição 18 pontos percentuais maior do que a verificada no início da pandemia, em março do ano passado.

Entre as mulheres, a avaliação negativa sobre o presidente chega a 56%, e vai a 63% entre quem tem curso superior e 67% na faixa de renda familiar mais alta, superior a dez salários mínimos.

​A atuação de Bolsonaro na pandemia é vista como positiva para 21% dos entrevistados, oscilação negativa de um ponto na comparação com a pesquisa de março, enquanto os que consideram a atuação regular ficou em 27%, variação de três pontos para cima, também dentro da margem de erro.

O presidente tem desempenho melhor em grupos que fazem parte de sua base tradicional de apoio. Um exemplo são os evangélicos, segmento no qual 30% dizem que a atuação é ótima ou boa.

Mais um dado representativo se refere às regiões Norte e Centro-Oeste, em que há forte influência do agronegócio, setor em que Bolsonaro conserva boa popularidade. Nestas duas regiões, que são agrupadas pelos critérios do Datafolha, a aprovação da condução da pandemia pelo presidente é de 27%.

Outra relativa boa notícia para o presidente se refere à opinião dos entrevistados sobre quem seria o principal culpado pela situação da pandemia no Brasil. Responsabilizam Bolsonaro 39% dos entrevistados, contra 43% no levantamento anterior. A queda, no entanto, fica no limite da margem de erro.

Ao mesmo tempo, a parcela dos que culpam os governadores oscilou positivamente, de 17% para 20%, assim como a dos que responsabilizam os prefeitos, que foi de 9% para 10%.

Para 10%, todas autoridades são culpadas, enquanto 3% responsabilizam a população pelo cenário atual da pandemia.

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