Rejeitado no Corinthians, Gustagol vira artilheiro do Brasil sob comando de Ceni

Gustagol comemora gol na estreia da Série B do Brasileirão (LC Moreira/Futura Press)

Por Vinicius Galante

Depois de uma passagem pouco frutífera pelo Corinthians, o atacante Gustavo, o Gustagol, encontrou o bom futebol e virou artilheiro do Brasil na temporada 2018 bem longe da capital paulista. A redenção do jovem de 24 anos aconteceu com grande colaboração de um histórico rival alvinegro, o ex-goleiro Rogério Ceni.

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No fim de 2017, o atacante estava de férias em Orlando (EUA) quando recebeu uma ligação de Rogério. O técnico havia acabado de assumir o comando do Fortaleza e disse que gostaria de ter o jogador como seu camisa 9. Gustavo, que vinha de passagens de pouco sucesso por Bahia e Goiás, nem titubeou.  

“Quando ele me ligou eu aceitei na hora, sem nem pensar”, afirma Gustavo. Só depois o clube e o empresário do atleta foram envolvidos no negócio e finalizaram os trâmites burocráticos para a transferência se concretizar.

A aposta em Gustavo não era óbvia. Ele havia chegado ao Corinthians em 2016 com grande expectativa depois de fazer muitos gols pelo Criciúma, mas decepcionou. Foram nove jogos e nenhum gol marcado naquele ano.

“Acho que faltou um pouco de confiança”, reconhece o jogador, mas ele também ressalta que o Corinthians não estava em uma boa fase e vivia um momento de transição. De fato, Gustavo chegou ao time paulista logo depois da saída de Tite e foi comandado por três técnicos nos nove jogos em que entrou em campo: Cristovão Borges, Fábio Carille e Oswaldo de Oliveira.

O Corinthians atualmente sofre com a falta de um atacante de área. Gustavo, que tem vínculo com o atual campeão brasileiro até 2020, nem pensa no ex-clube e diz que está totalmente concentrado na disputa da Série B.

“Claro que todo jogador tem o sonho de jogar em um clube da grandeza do Corinthians, mas meu foco agora é no Fortaleza. Depois eu vejo o que vai ser da minha carreira”, diz.

E Gustavo vive um momento glorioso no seu novo clube. O atacante marcou 18 gols clube e virou o maior goleador do Brasil na temporada 2018.  Um feito animador para quem estava sem muitas perspectivas até bem pouco tempo atrás.

“O que acontece aqui no Fortaleza é que eu estou tendo várias oportunidades. Isso aumenta a confiança do jogador”, salienta Gustavo.

Apesar do bom desempenho, o Campeonato Cearense terminou de maneira um pouco decepcionante para Gustavo e para o Fortaleza. O clube perdeu a final para o maior rival Ceará e foi vice-campeão.

Não houve tempo para lamentação e menos de uma semana depois o time estreou na Série B. A vitória por 2 a 1 sobre o Guarani só aconteceu graças a Gustavo, que descobriu uma nova vocação.

O time cearense teve uma falta para bater já nos acréscimos e o atacante se candidatou para bater.  A cobrança foi quase perfeita e o goleiro do Guarani não conseguiu alcançar a bola, que entrou quase no ângulo.

O dedo de Rogério Ceni foi grande na vitória. Gustavo diz que o técnico permitiu que ele treinasse cobrança de faltas e, valendo-se de seus conhecimentos do tempo de jogador, ajudou o pupilo a aprimorar o fundamento.

“Ele corrigiu meu posicionamento e deu dicas sobre a melhor maneira de bater na bola para cada tipo de cobrança”, revela o atacante, que passou a ser chamado de  Gustagol no Criciúma.

“Esse apelido não me traz pressão, não. Eu gosto porque sou atacante e vivo de fazer gols”, diz.