De relógio doado por corte de Luís XIV a tela de Di Cavalcanti, veja lista com obras de arte danificadas em Brasília

O rastro de destruição deixado por terroristas nas instalações do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, provocou danos irreparáveis em obras de arte e patrimônios históricos de altíssimo valor. O levantamento com as perdas é provisório e está sendo atualizado, aos poucos, pelas peritos, já que muitos objetos seguem perdidos em meio aos destroços.

Há danos irreparáveis em itens como um relógio doado a Dom João VI pela corte real de Luís XIV, uma réplica da edição original da Constituição e uma tela com assinatura do artista Di Cavalcanti. A seguir, veja a lista com os artigos danificados.

Um relógio fabricado pelo francês Balthazar Martinot, com design de André-Charles Boulle, foi destruído pelos terroristas. A peça foi fabricada no fim do século XVIII e foi dada de presente para a família real pela corte de Luís XIV. O relógio foi trazido para o Brasil por D. João VI, em 1808. O objeto ficava no terceiro andar, onde está localizado o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A escultura "A bailarina", obra em bronze de Victor Brecheret, um dos expoentes do modernismo, foi retirada do local onde ficava exposta na Câmara dos Deputados. A peça está desaparecida.

No Planalto, a tela “Mulatas”, de Di Cavalcanti, foi furada pelos invasores em seis pontos. Especialistas garantem que a restauração de uma tela como esta, datada de 1962, pode levar até 90 dias.

Em 1977, a artista Marianne Peretti usou vidro temperado e jatos de areia para produzir "Araguaia", obra instalada no hall do Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília. A peça decorativa foi destruída pelos terroristas.

A escultura "A Justiça", de Alfredo Ceschiatti, foi pichada. Terroristas inscreveram a seguinte frase na peça: "Perdeu, mané". A obra de arte em granito está instalada em frente ao prédio do STF, na Praça dos Três Poderes, e representa o poder judiciário como uma mulher com os olhos vendados segurando uma espada.

No STF, segundo apuração do GLOBO, a avaliação é que o dano ao patrimônio histórico é irreparável e que o prédio principal está "completamente destruído". O brasão da República foi arrancado. Os terroristas também retiraram as cadeiras que os 11 ministros usam durante os julgamentos.

No prédio do STF, os danos também incluem o chamado "Hall dos Bustos", onde havia bustos de figuras importantes da República, como o de Rui Barbosa, responsável pela criação da Corte no modelo atual, em 1890, e de Joaquim Nabuco, abolicionista. Entre itens de valor histórico danificados pelos vândalos também está um tapete que, segundo informações do Supremo, pertenceu à Princesa Isabel, filha do imperador D. Pedro II e responsável por assinar a Lei Áurea, que acabou com a escravidão no país.

A cadeira utilizada pela presidência do STF foi retirada do edifício e colocada na rua, onde terroristas posaram para fotos postadas nas redes sociais. A peça tem a assinatura do designer e arquiteto Jorge Zalszupin, expoente do modernismo brasileiro.